
A produtora Juliana Simões de Carvalho, por meio da Akaíaka Cultura e Natureza Ltda., obteve autorização do Ministério da Cultura para captar R$ 337 mil por meio da Lei Rouanet com o objetivo de viabilizar o projeto de restauro da Estação Ferroviária de Chapéu d’Uvas, distrito de Juiz de Fora. O prazo de captação de recursos vai de 8 de abril até 31 de dezembro de 2026.
A proposta prevê, em uma primeira etapa, a realização de levantamento cadastral, diagnóstico do estado de conservação e elaboração dos projetos executivos necessários para a restauração do imóvel, que é tombado como patrimônio municipal. Além da preparação técnica, o projeto inclui ações de educação patrimonial voltadas às comunidades locais de Chapéu d’Uvas e Paula Lima.
As atividades também abrangem o resgate histórico da região, com levantamento de dados sobre a formação social do distrito, que integra um trecho relevante do Caminho Novo, parte da Estrada Real. A iniciativa pretende reunir acervos iconográficos, documentos históricos e depoimentos em vídeo sobre a memória ferroviária e a história local, a partir de um grupo de trabalho formado por moradores. O material deverá subsidiar uma futura exposição permanente no espaço cultural da estação.
O projeto surge em um contexto de preocupação com a preservação do patrimônio ferroviário do distrito. Em 2025, a estação perdeu suas caixas d’água históricas, estruturas típicas do período das locomotivas a vapor. À época, o historiador Vanderlei Tomaz criticou a retirada de uma das peças centenárias e defendeu sua restauração, destacando o valor simbólico e histórico desses equipamentos para a memória ferroviária brasileira.
Chapéu d’Uvas é considerado um dos primeiros núcleos de povoamento da região e guarda importância estratégica na história local. A estação ferroviária, inaugurada no século XIX — com registros que remontam a 1877 — funcionava como última parada em Juiz de Fora para composições que seguiam em direção a Belo Horizonte. Atualmente, a linha férrea segue ativa sob concessão da MRS Logística, atravessando o distrito.
Com a autorização para captação via Lei Rouanet, o projeto busca não apenas viabilizar o futuro restauro da estação, mas também mobilizar a comunidade e ampliar o reconhecimento da relevância histórica e cultural de Chapéu d’Uvas no contexto regional.