
A eleição para deputado federal em Juiz de Fora terminou marcada por uma concentração incomum da votação em dois partidos. PL e PT, que protagonizaram a polarização política nacional, reuniram 78,4% dos votos nominais para a Câmara dos Deputados no município. Na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, porém, o eleitorado distribuiu seus votos de forma mais ampla entre as legendas.
Dos 274.640 votos nominais registrados para deputado federal em Juiz de Fora, o PL ficou com 117.503, o equivalente a 42,8%. O PT apareceu em seguida, com 97.737 votos, ou 35,6%. Somados, os dois partidos chegaram a 215.240 votos, deixando apenas 59.400 votos para todas as demais legendas.
A diferença entre PL e PT foi de aproximadamente 19,8 mil votos. O resultado também mostra a distância para o restante do quadro partidário: o PSB, terceiro colocado, obteve 14.811 votos, correspondentes a 5,4% da votação — cerca de um oitavo do total alcançado pelo PL.
Republicanos, com 7.646 votos, e PSOL, com 7.398, completaram as cinco maiores votações partidárias. Outros 15 partidos não chegaram individualmente a 1% dos votos nominais. Algumas legendas tiveram desempenho apenas residual, como Cidadania, com 23 votos, PCO, com 17, e Democracia Cristã (DC), com sete.
Cenário muda na disputa estadual
A fotografia da eleição para deputado estadual foi diferente. Os votos nominais somaram 261.690, aproximadamente 4,7% abaixo do total registrado na eleição para a Câmara dos Deputados.
PL e PT continuaram concentrando a maior parte da votação, mas a distância entre os dois praticamente desapareceu. O PL recebeu 76.563 votos (29,3%), enquanto o PT alcançou 75.585 (28,9%). Juntos, os dois partidos ficaram com 58,1% dos votos — uma concentração 20 pontos percentuais menor que a registrada na eleição federal.
A diferença entre PL e PT na disputa estadual foi de apenas 978 votos.
O espaço deixado pelas duas maiores forças foi ocupado por outras legendas. O PSB alcançou 36.080 votos, ou 13,8%, enquanto o Democrata chegou a 23.420, equivalentes a 8,9%. União, com 12.986 votos, e PP, com 10.822, também tiveram participação relevante.
Candidaturas locais mudaram o mapa
A diferença entre as duas disputas está relacionada também ao perfil das candidaturas apresentadas pelos partidos. Na eleição para deputado federal, PL, PT, PCdoB e MDB colocaram candidatos de Juiz de Fora na disputa e concentraram parte de sua estrutura eleitoral nessa corrida.
O efeito fica evidente no desempenho de algumas legendas. O PCdoB, por exemplo, passou de 3.569 votos na eleição federal para apenas 462 na estadual. O MDB caiu de 3.840 para 433 votos. Sem candidaturas locais competitivas para a Assembleia, os partidos perderam grande parte de sua votação no município.
Na eleição estadual, por outro lado, partidos que tiveram participação mais discreta na disputa federal encontraram espaço por meio de candidaturas com forte vínculo local. O PSB contou com um deputado estadual recordista de votos em busca da reeleição. Democrata e União lançaram vereadores de Juiz de Fora, enquanto o PP apresentou uma ex-vereadora da cidade.
Nesse cenário, a votação partidária passou a refletir de maneira mais direta a força eleitoral dos candidatos e sua capacidade de transformar uma base política municipal em votos para a Assembleia.
Mesmo sem a mesma concentração de nomes locais, PL e PT conseguiram preservar uma votação próxima de 76 mil votos cada na disputa estadual.
O resultado deixa, portanto, duas fotografias distintas da eleição em Juiz de Fora: na disputa federal, uma eleição fortemente concentrada em PL e PT; na estadual, uma competição mais pulverizada, na qual candidaturas com base no município tiveram peso maior na composição do resultado.