Eleições

Abstenção de 2024 acende alerta para eleitorado de 25 a 29 anos em Juiz de Fora

No primeiro turno das eleições municipais de 2024, 82.172 dos 390.203 eleitores aptos de Juiz de Fora (21,1% do eleitorado) não compareceram às urnas. Entre os eleitores para os quais o voto é obrigatório, a maior taxa de abstenção foi registrada na faixa de 25 a 29 anos: 28,79% deixaram de votar, o equivalente a 10.720 pessoas.

Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também apontam uma relação entre escolaridade e participação eleitoral. Entre os eleitores analfabetos, a abstenção chegou a 43,47%.

Jovens: participação cai nos primeiros anos da idade eleitoral

Aos 18 anos, a taxa de abstenção foi de 12,87%. O índice sobe para 22,82% aos 19 anos, 25,32% aos 20 e 28,43% entre 21 e 24 anos. Na faixa de 25 a 29 anos, atingiu o pico, com 28,79%.

Um dado chama a atenção: adolescentes de 16 e 17 anos, para os quais o voto é facultativo, apresentaram taxas de abstenção de 14,58% e 22,42%, respectivamente. Os índices são inferiores aos registrados entre os eleitores de 21 a 29 anos, faixa etária em que o voto é obrigatório.

A diferença, no entanto, não permite concluir que a obrigatoriedade do voto seja a causa das maiores taxas entre os jovens adultos. Os dados apenas mostram o comportamento eleitoral de cada faixa etária.

Adultos: abstenção diminui entre as faixas intermediárias

Entre os eleitores de 30 a 34 anos, a abstenção foi de 25,38%. O índice caiu para 21,39% entre 35 e 39 anos e continuou recuando nas faixas seguintes, até chegar a 11,24% entre 60 e 64 anos, a menor taxa registrada entre os grupos etários analisados.

Entre 60 e 69 anos, a abstenção permaneceu em patamar próximo de 11% a 13%.

Em números absolutos, os eleitores de 25 a 39 anos concentraram cerca de 34% de todas as abstenções registradas no município: foram 27.981 dos 82.172 eleitores que não compareceram às urnas.

Idosos: voto facultativo coincide com aumento da abstenção

A partir dos 70 anos, quando o voto deixa de ser obrigatório, a abstenção aumenta de forma significativa. O índice passa de 12,63% entre os eleitores de 65 a 69 anos para 34,64% aos 70 anos.

Considerando todo o eleitorado com 70 anos ou mais, 16.268 dos 39.357 eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 41,3%.

A taxa cresce ainda mais nas faixas etárias mais avançadas e chega a 64,40% entre os eleitores de 90 a 94 anos.

Dificuldades de locomoção, condições de saúde e limitações relacionadas à idade são fatores que podem influenciar a participação eleitoral dessa parcela da população. Os dados do TSE, porém, registram o comparecimento às urnas, e não as razões para a ausência. Para identificar as causas desse comportamento, seria necessário recorrer a outras fontes, como pesquisas com os eleitores ou informações de especialistas e da Justiça Eleitoral.

Escolaridade: maior nível de estudo acompanha menor abstenção

A escolaridade também aparece associada a diferenças nas taxas de comparecimento. Entre os eleitores analfabetos, para os quais o voto é facultativo, 43,47% não compareceram às urnas — 1.238 de um total de 2.848 eleitores.

No grupo classificado pelo TSE como “lê e escreve”, a abstenção foi de 31,18%.

As menores taxas aparecem entre os eleitores que concluíram o ensino médio (18,22%) e o ensino superior (18,41%).

A relação, entretanto, não é perfeitamente linear. Entre os eleitores com ensino médio incompleto, por exemplo, a abstenção chegou a 24,90%, acima dos índices registrados entre aqueles com ensino fundamental completo (21,69%) e incompleto (23,54%). No ensino superior incompleto, a taxa foi de 22,29%.

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