Eleições

Eleitorado com ensino superior completo em Juiz de Fora quase triplica em 10 anos

Em dez anos, eleitores com ensino superior completo passou de 28.671 para 81.509 pessoas. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

O eleitorado que irá às urnas em Juiz de Fora nas eleições de outubro é praticamente o mesmo em quantidade daquele que escolheu o prefeito em 2016. Mas, passados dez anos, o perfil dos votantes mudou de forma significativa. Dados da Justiça Eleitoral mostram que a cidade ganhou um eleitorado mais escolarizado e mais envelhecido, cenário que tende a influenciar o discurso dos candidatos e as prioridades da campanha.

Entre 2016 e 2026, o número de eleitores passou de 395.425 para 394.921, redução de apenas 504 pessoas, o equivalente a 0,13%. A estabilidade, no entanto, esconde uma profunda transformação na composição do cadastro eleitoral.

O principal destaque é o avanço dos eleitores com ensino superior completo. Em dez anos, esse contingente passou de 28.671 para 81.509 pessoas. O crescimento foi de 184,3%, com o ingresso de 52.838 novos eleitores nessa faixa de escolaridade. Em 2016, eles representavam 7,25% do eleitorado juiz-forano. Hoje correspondem a 20,64%, ou seja, um em cada cinco eleitores da cidade possui diploma universitário.

Também houve crescimento entre aqueles com ensino superior incompleto, que passaram de 16.785 para 28.120 eleitores, alta de 67,5%, e entre os que concluíram o ensino médio, cujo número aumentou 52,9%, passando de 79.885 para 122.141.

Na direção oposta, todas as faixas de menor escolaridade registraram queda. O número de analfabetos diminuiu de 7.594 para 2.968 eleitores, redução de 60,9%. Os eleitores classificados apenas como “lê e escreve” caíram 74,1%, passando de 21.600 para 5.591. Já aqueles com ensino fundamental incompleto encolheram quase 40%, passando de 120.027 para 72.863.

A mudança também aparece quando se observa a participação proporcional de cada grupo. Em 2016, os eleitores com baixa escolaridade (analfabetos, pessoas que apenas liam e escreviam e aqueles com ensino fundamental incompleto) representavam 37,7% do eleitorado. Dez anos depois, essa participação caiu para 20,6%.

Enquanto isso, os eleitores com ensino superior completo ou incompleto passaram de 11,5% para 27,8% do total de votantes. Em outras palavras, o contingente de eleitores com formação universitária mais que dobrou sua participação no eleitorado de Juiz de Fora.

Os números refletem um processo observado em diversas cidades brasileiras, impulsionado pela expansão do acesso ao ensino médio e ao ensino superior nas últimas décadas. Em Juiz de Fora, esse movimento é potencializado pela presença da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e de instituições privadas, que consolidaram o município como um dos principais polos universitários do interior de Minas Gerais.

Cidade também envelheceu

Outra mudança relevante ocorreu na distribuição por idade. Se o eleitorado permaneceu praticamente estável em quantidade, ele envelheceu ao longo da última década.

As maiores altas foram registradas entre os eleitores de 60 a 79 anos. A faixa de 70 a 74 anos apresentou crescimento de 58,7%, passando de 14.311 para 22.707 pessoas. Entre os eleitores de 65 a 69 anos, o aumento foi de 37%, enquanto a faixa de 75 a 79 anos cresceu 38,2%. Também houve expansão de 22,1% entre aqueles de 60 a 64 anos.

Como consequência, a participação dos eleitores com 60 anos ou mais passou de cerca de 18% para aproximadamente 27% do eleitorado do município.

O movimento inverso ocorreu entre os jovens adultos. As faixas entre 18 e 34 anos registraram reduções sucessivas, com destaque para os eleitores de 19 anos (-28,8%), 20 anos (-27,6%) e o grupo entre 21 e 24 anos (-21,9%).

A exceção foi a faixa dos adolescentes de 16 anos, cujo alistamento dobrou, passando de 333 para 666 eleitores. Aos 17 anos, o crescimento foi de 8,3%.

Reflexos na disputa eleitoral

As mudanças ajudam a explicar um cenário eleitoral cada vez mais diferente daquele observado há dez anos. Um eleitorado mais escolarizado e com maior participação de pessoas acima dos 60 anos tende a ampliar o peso de temas como saúde, mobilidade urbana, planejamento da cidade, transparência na gestão pública, desenvolvimento econômico e qualidade dos serviços públicos.

Embora os dados não permitam estabelecer uma relação direta entre escolaridade e comportamento eleitoral, eles indicam que as campanhas de 2026 dialogarão com um público substancialmente diferente daquele que foi às urnas em 2016. A estabilidade no número de eleitores contrasta com uma mudança geracional que alterou o perfil social e educacional do maior colégio eleitoral da Zona da Mata.

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