Conjuntura

Em aceno ao eleitor de direita, Margarida inicia plano de armar a Guarda Municipal

Em mais um aceno ao eleitorado de direita, a prefeita Margarida Salomão (PT) começou a tirar do papel sua proposta de armar a Guarda Municipal de Juiz de Fora com dispositivos letais. O município firmou contrato no valor de R$ 867.119,62 com o Instituto de Pesquisa, Gestão e Tecnologia (INTEC) para viabilizar o processo de liberação do porte de arma de fogo institucional da corporação.

O extrato do contrato, publicado oficialmente em janeiro, aponta que o acordo prevê a prestação de serviços de consultoria técnica especializada destinada à instrução, assessoramento e acompanhamento do processo junto aos órgãos competentes. Além disso, o objeto inclui a realização de exames de saúde e toxicológicos, curso de Armamento e Tiro e Estágio de Qualificação Profissional dos agentes da Guarda Civil Municipal (GCM).

Com vigência de 18 meses, contados a partir da publicação, o contrato representa um custo médio mensal de aproximadamente R$ 48 mil aos cofres públicos. O valor global, no entanto, chama atenção pela amplitude dos serviços concentrados em um único contrato, reunindo atividades de caráter administrativo, técnico, médico e operacional.

No entanto, estudos apontam que o custo para capacitação e armamento é bem mais elevado. Um levantamento da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, baseado nos gastos do município de São Paulo, estimou que o treinamento realizado pela Polícia Federal custa cerca de R$ 35 mil por agente. Considerando o efetivo de Juiz de Fora, o investimento necessário poderia chegar a R$ 3,7 milhões — valor que não aparece contemplado na proposta orçamentária enviada para 2026.

A contar pelo prazo de execução contratual de 12 meses, o processo deve ser concluído apenas no segundo semestre de 2027. Quando lançou a proposta no final de outubro do ano passado, a prefeita informou que pretendia concluir todo o processo de armamento no início deste 2026. Atualmente, a Guarda Municipal conta com 107 agentes.

Medida contraria setores do PT

O uso de armar letais pela Guarda Municipal causou forte reação em alguns setores do PT de Juiz de Fora. A questão sempre foi um tema sensível dentro da base histórica do partido, tradicionalmente contrário à ampliação do uso de armas. Em uma postagem em suas redes sociais, a vereadora Cida Oliveira (PT) disse que a medida implicaria em “militarizar o convívio urbano”. E reforçaria “a lógica da força, da repressão, do medo.”

A proposta de armar a Guarda Municipal se soma a uma série de medidas quem vêm tencionando as relações internas do diretório do PT de Juiz de Fora. A começar pela extinção da função de cobradores, passando pela concentração de poderes pela “tucana” Fernanda Finotti (secretária de Fazenda) e pela nomeação da missionária Lurdes Militão para Secretaria das Mulheres, até a escolha do empresário Marcelo Detoni (PSB) como candidato a vice-prefeito na chapa de reeleição.

Como se não bastasse, a possível candidatura da secretária de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular, Cidinha Louzada, para deputado estadual, em concorrência direta com o deputado estadual Betão (PT), promete mais tensões para o período pré-eleitoral. A disputa pode afetar até a deputada federal Ana Pimentel (PT), que em 2022 fez dobradinha solo com Betão em Juiz de Fora, e agora tem compromisso de caminhar com Cidinha.