Meio Ambiente

Juiz de Fora sobe no ranking, mas ainda tem pior tratamento de esgoto em MG

Juiz de Fora avançou no Ranking do Saneamento 2026, subindo 12 posições e alcançando o 58º lugar entre os 100 maiores municípios do país. Apesar da evolução, o município ainda apresenta o pior índice de tratamento de esgoto entre as principais cidades de Minas Gerais, evidenciando um dos principais gargalos da política de saneamento local.

De acordo com o levantamento feito pelo Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com GO Associados, baseado em dados de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), Juiz de Fora trata apenas 24,9% do esgoto coletado, percentual significativamente inferior ao de outros municípios mineiros melhor posicionados. A cidade, no entanto, já universalizou o acesso: tanto o abastecimento de água quanto a coleta de esgoto atingem 100% da população .

O contraste com outras cidades do estado é expressivo. Em Uberaba, 11ª colocada no ranking nacional, o índice de tratamento chega a 93%. Montes Claros, na 14ª posição, registra 81,25%, enquanto Uberlândia, 21ª colocada, trata 80,47% do esgoto . Mesmo cidades com desempenho intermediário, como Betim (52ª) e Belo Horizonte (53ª), apresentam percentuais bem superiores aos de Juiz de Fora, ainda que também enfrentem desafios no setor.

O resultado coloca Juiz de Fora em uma situação singular. Embora esteja à frente de municípios como Contagem (59ª), a cidade se distancia das referências estaduais e nacionais devido à baixa capacidade de tratamento. Entre os 100 maiores municípios brasileiros, os líderes do ranking (Franca, São José do Rio Preto e Campinas) combinam cobertura praticamente universal com índices de tratamento que superam 80% e chegam a mais de 95%, além de níveis menores de perdas na distribuição de água.

Outro ponto de atenção está na eficiência do sistema. Juiz de Fora registra 35,65% de perdas na distribuição de água, patamar considerado elevado e acima do observado em cidades mais bem colocadas. O investimento médio per capita entre 2020 e 2024 foi de R$ 92,95, valor intermediário quando comparado ao de municípios que lideram o ranking, onde os aportes são mais robustos e contínuos .

Apesar das fragilidades, a melhora no posicionamento indica algum avanço recente demorado, associado à ampliação de investimentos e melhorias operacionais realizados nos últimos 20 anos. Ainda assim, especialistas apontam que o principal desafio de Juiz de Fora deixou de ser a expansão da rede — já universalizada — e passou a ser a qualificação do serviço, sobretudo no que diz respeito ao tratamento de esgoto e à redução de perdas.

O diagnóstico reforça que, sem priorizar o tratamento de esgoto, despejado in natura no rio Paraibuna e seus afluentes, o município tende a permanecer distante dos melhores desempenhos do país e atrás das principais cidades mineiras, mesmo mantendo bons índices de cobertura.

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