Polytheama

A poesia falada e cantada de Laura Conceição

A performance poética e musical da juiz-forana será apresentada no dia 29 de setembro no Circuito Oralidades (Foto: Natália Elmor)

“Mostrar a versatilidade da poesia falada, cantada, do spoken word, do poetry slam”. É com essa intenção que a poeta e MC Laura Conceição elaborou seu mais recente trabalho, “Rap é poema também: ritmo, voz e resistência”. A performance poética e musical será apresentada no dia 29 de setembro, quarta-feira, no Circuito Oralidades, que faz parte do projeto Arte da Palavra, da rede SESC de leituras. Em formato online, a apresentação de Laura vai ao ar às 20h no canal do SESC Santa Catarina no YouTube e também na página do Arte da Palavra, no Facebook.

O Circuito Oralidades vai ser iniciado no SESC Santa Catarina com artistas da Bahia, de Alagoas e com Laura, como representante de Minas Gerais. O objetivo é valorizar a literatura brasileira e a formação de novos autores, visando contemplar as diversas possibilidades de manifestações literárias e a criação de espaços de diálogo com o público. Na agenda de Laura Conceição, ainda estão anotadas apresentações pelo SESC Salvador e SESC Rio de Janeiro.

E os compromissos da jovem poeta e MC juiz-forana, de 25 anos, não param por aí. No dia 30, ela inicia sua participação no Slam BR – Campeonato Brasileiro de Poesia Falada. Ela e mais dois poetas da cidade, Sophia Bispo e Yhoung S.M.O.K.E, estarão na disputa com artistas de todo o país. Laura explica que levará até nove poesias diferentes para o campeonato. “Neste ano, tudo aconteceu de forma on-line. Então, a gente pôde transitar mais facilmente em slams de outros estados. Eu vou representar São Paulo, Jovem Fumacinha, o Yhoung S.M.O.K.E, vai representar o Rio de Janeiro, e a Sophia Bispo, que é uma poeta bem jovem, vai por Minas Gerais”, comenta.

Juventude juiz-forana no slam

Yhoung S.M.O.K.E, de 21 anos, foi classificado para a competição nacional representando o Slam Nós da Rua, coletivo cultural do bairro de Jacarepaguá, do Rio. Ele conta que isso se deve ao fato de ter sido o vice-campeão do campeonato carioca de poesia falada. O poeta juiz-forano, criado no bairro de Santa Luzia, também foi ganhador do Concurso de Slam – Poesia Falada, promovido pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em janeiro deste ano, e ganhou outros 19 concursos, realizados em 10 cidades diferentes. “Percebi que eu tinha capacidade de alcançar lugares por meio do slam. Me sinto mais forte por ser um jovem, preto e vivo que não precisou pegar em armas para ser levado a sério. A arte também perfura. Espero que minha presença no Slam BR ajude a fazer outros jovens, assim como eu, a perceberem que existem outros caminhos”, reforça o também estudante de bacharelado interdisciplinar em Ciências Humanas da UFJF.

Com apenas 16 anos, Sophia Bispo foi escolhida como representante do estado de Minas Gerais no Slam BR. Ela conta que os poemas que apresentará na competição ainda não foram escolhidos, mas que devem ser formas de protesto ou revelar conteúdos mais ligados à emoção, geralmente os temas sobre os quais a artista escreve de forma intimista. Sophia cursa o segundo ano do ensino médio no Instituto Estadual de Educação e é moradora do bairro Retiro, zona leste de Juiz de Fora. “Foi o primeiro estadual Slam MG do qual participei, em que fiquei em terceiro lugar. E já passei para o campeonato nacional. Tento nem pensar nisso, mas é uma experiência incrível. Minha família e minha comunidade, além da Confraria dos Poetas de Juiz de Fora, estão muito felizes. É muito legal poder conhecer poetas novos. Se tem uma coisa boa nesses slams virtuais é que a gente pode encontrar artistas de outros estados sem sair de casa, e participar de diversos eventos de poesia”, comemora Sophia, que começou a escrever em 2019 e ganhou alguns concursos realizados em escolas da cidade.

Por falar em escolas, Laura Conceição também é idealizadora do projeto “Poesia na Escola”, nascido em 2017, a partir de uma necessidade de enxergar as instituições de ensino como espaços de maior acolhimento para os alunos. “A escola me ensinou que a arte era pintura e o desenho, e só. Então, eu fui me reconhecer enquanto artista muito depois, já adulta. A minha vontade sempre foi mostrar a poesia, o rap, a arte e a escrita como perspectiva de profissão, e mostrar que o rap e o funk que eles escutam em casa são também poesia. Assim, eles passam a gostar mais de poesia”, finaliza.

Relacionados
Polytheama

Que horas ele volta?

Na semana em que pipocaram notícias sobre o lançamento de seu novo livro, Chico Buarque deu um susto no Brasil ao ser internado para uma cirurgia. ‘Está ótimo’, informou sua assessoria, para alívio geral da nação.
Leia mais
Polytheama

‘E eu passando por otário em Minas!’

Em meio a imbróglio sobre suposto plágio envolvendo Adele e o hit “Mulheres”, Mamão comenta caso parecido entre “Tristeza, pé no chão” e música de Criolo.
Leia mais
Polytheama

As mulheres caboclas da caatinga pela lente do moço cineasta juiz-forano

“Resto de mundo”, do cineasta de Juiz de Fora, Diego Zanotti, estreou no catálogo do Globoplay, com a história de sete mulheres empreendedoras de artes e ofícios, contada em sete episódios de 30 minutos cada.
Leia mais

Notícias no e-mail