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Conjuntura

Bolsonaristas fazem ato em Juiz de Fora com apelo à intervenção militar e no STF

Manifestantes concentraram na praça do bairro São Mateus e depois desceram a Avenida Itamar Franco (Foto: Felipe Couri)

Os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em Juiz de Fora acataram o chamado do seu líder maior e tomaram as ruas neste 7 de Setembro em um duro aceno contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Os manifestantes, por meio de cartazes, camisas e faixas, pediram o afastamento de ministros da Suprema Corte e intervenção militar.

Os bolsonaristas se reuniram às 10h na Praça Jarbas de Lery, no Bairro São Mateus, onde foi montada uma estrutura com dois guindastes para sustentar uma grande bandeira do Brasil. Esteve à frente do ato o autointitulado Movimento Brasil Republicano, que integra os grupos Nas Ruas, Direita Minas, Direita Juiz de Fora e Família de Direita.

Os manifestantes, após entoarem o hino nacional, desceram a Avenida Presidente Itamar Franco rumo à Praça Antônio Carlos. Curiosamente, durante o percurso, o caminhão de som tocou músicas com letras de artistas reconhecidamente críticos aos regimes militares. Entre crianças, adultos e velhos, a camisa 10 de Neymar Jr. era a mais comum.

Tanto na concentração quanto ao longo do percurso, houve presença massiva de crianças acompanhada de pais e familiares. Com cornetas, tintas verde e amarela e com camisas do Brasil, muitos pediam a saída de Alexandre Moraes do STF. Cartazes e personagens muitas vezes tornaram-se referências para pose para fotos. Muitos participantes não usavam máscaras de proteção contra a Covid-19.

Uma das oradoras do ato, em cima do caminhão, informou estarem presentes 23 mil pessoas. No entanto, no último dia 4, em entrevista ao portal Poder 360, Deusemar de Souza Lima, diretor-geral da Direita JF, disse que, caso a adesão superasse 8 mil pessoas, o grupo faria uma homenagem ao presidente próximo ao local da facada. Isso não aconteceu.

O ato de Juiz de Fora, como os demais espalhados pelo país, foi marcado por pautas com apelo autoritário e golpista. Os manifestantes ostentavam cartazes e faixas com dizeres como “Intervenção com Bolsonaro no poder”, “Fora comunistas”, “Voto impresso auditável”, “Destituição dos 11 ministros do STF já”, “STF, ditadura de toga”, “Criminalização de todos os comunistas”.

Além dos ataques a membros do Judiciário, também entraram na pauta dos discursos no caminhão e no chão mensagens contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os jornalistas eram questionados sobre o que sairia nas matérias. Muitos cartazes estavam em inglês. A estratégia revelada por alguns manifestantes era a de mostrar ao mundo suposto respaldo popular do presidente.

Em junho, levantamento feito pelo instituto Datafolha mostrou que 75% dos brasileiros consideram o regime democrático o mais adequado, enquanto 10% afirmam que a ditadura é aceitável em algumas ocasiões.