Ciências

Chove chuva, chove sem parar. Mas até quando e por quê?

Com as chuvas, Paraibuna voltou a transbordar no bairro Industrial (Foto: Bruno Ribeiro)

E não para de chover em Juiz de Fora. Não para de chover em Minas Gerais. As fortes chuvas devem continuar ainda esta semana, embora comecem a perder força a partir da próxima quinta-feira (13). A previsão é do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Mas ainda é cedo para comemorar uma trégua mais longa. Os meteorologistas não descartam novas concentrações de chuva em um curto período de tempo em determinada região ainda neste verão. Isso é uma das conseqüências do fenômeno climático chamado La Niña.

No caso de Minas Gerais, a forte precipitação dos últimos dias, que tem causado uma série de transtornos, é influenciada pela chamada Zona de Convergência do Atlântico Sul. Isso ocorre quando uma massa de umidade se concentra por alguns dias em uma região, sem conseguir se dissipar.

Houve um bloqueio atmosférico que não deixou uma massa de umidade se dissipar da região central do estado, não deixando a precipitação se mover, explicou Anete Fernandes, meteorologista do Inmet, em entrevista a BBC Brasil. Soma-se a isso, a ocorrência de uma baixa pressão atmosférica vinda do Sul, que também contribuiu para a concentração das chuvas.

Segundo o Inmet, apenas em Juiz de Fora choveu 148,8 mm entre a última sexta-feira e essa segunda-feira (10).  Já na cidade de Divinópolis, oeste de Minas, choveu 258,8 mm apenas durante o fim de semana. As fortes precipitações causaram uma série de inundações em várias cidades mineiras.

Até segunda-feira (10), segundo a Defesa Civil, 145 cidades estado decretaram situação de emergência, com inundações, deslizamentos e desabamentos. O caso de maior repercussão aconteceu no sábado, quando 10 pessoas morreram depois que um grande pedaço de rocha se desprendeu de um cânion na cidade Capitólio.

Também segue em estado de alerta a cidade de Pará de Minas, a cerca de 80 km de Belo Horizonte. Equipes da prefeitura e do Corpo de Bombeiros emitiram alerta de risco máximo em relação à possível ruptura da barragem da empresa Santanense possa se romper em virtude das chuvas. Famílias que vivem na região foram retiradas de suas casas.

O ano de La Niña

As precipitações devem perder intensidade nos próximos dias em Minas Gerais por causa da “desconfiguração da Zona de Convergência do Atlântico Sul. Mas o Inmet não descarta ocorrências de pancadas de chuva na região até quinta-feira (13), ainda que com volume de chuvas menor.

As tempestades do início do ano na Bahia e agora em Minas Gerais podem voltar a ocorrer em outros estados do país, principalmente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, apontam os meteorologistas. Isso porque 2022 se inicia com a promessa de ser o ano de La Niña.

O fenômeno climático La Niña, que se desenvolve quando ventos que sopram sobre o Pacífico empurram as águas quentes da superfície para o oeste, em direção à Indonésia. Em seu lugar, as águas mais frias do oceano profundo sobem à superfície, causando mudanças climáticas em diferentes partes do mundo.

Segundo relatório de outubro de 2021 produzido pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), órgão do governo americano, o fenômeno climático responsável por invernos rigorosos e grandes secas em todo o mundo chegou novamente e será sentido por vários meses.

“As condições do La Niña se desenvolveram e devem continuar com 87% de probabilidade entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022”, informou a agência.