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Holofote

Júlio, Charlles, Sheila, Ione e Isauro. O que esperar da “janela partidária”?

Júlio, Charlles, Sheila, Ione e Isauro podem mudar de partido (Fotos: Câmara Federal, ALMG, Câmara JF)

A chamada “janela partidária” abre oficialmente no dia 3 de março, mas suas implicações já estão em ampla discussão. A partir dessa data até o dia 1º de abril, os parlamentares podem mudar de partido sem perder o mandato. O prazo é o mesmo para quem precisa definir por qual partido disputará as eleições deste ano.

Em Juiz de Fora, os deputados federais Júlio Delgado (PSB) e Charlles Evangelista (PSL/União Brasil) vão mudar de partido. Nenhum dos dois definiu ainda qual será o destino. O mesmo acontece com a deputada estadual Delegada Sheila (PSL/União Brasil). Mas os três têm estratégias definidas.

O problema de Júlio Delgado no PSB é a formação da chapa. Atualmente, o partido não conseguiria votos para eleger sequer um deputado. A formação de uma federação com o PT e outros partidos de esquerda poderia ajudar, mas a definição quanto a isso foi adiada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para 31 de maio.

Se apostar na federação e ela não sair, Júlio Delgado estaria praticamente fora do jogo. Por não poder esperar e para evitar sua “eliminação” precoce, ele vai migrar para outra legenda com maior viabilidade. As conversas com o PSD avançaram entre o final do ano passado e o início deste ano, mas esfriaram recentemente.

Com a possibilidade cada vez mais remota de o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), ser mesmo candidato à Presidência da República, Júlio Delgado passou a considerar outras legendas. Com apenas 34% de participação nas votações favoráveis ao Governo Bolsonaro, segundo o portal Congresso Em Foco, seu caminho deve ser um partido do campo de oposição.

Caminho completamente oposto será tomado por Charlles Evangelista. Após ter se aproximado e afastado do clã Bolsonaro por diversas vezes nas disputas internas do partido, o juiz-forano vai retornar ao bolsonarismo raiz para encarar as urnas em outubro deste ano. Para tanto, ele tem estratégia definida para se filiar ao PL, mesmo partido do presidente Bolsonaro.

Outra possibilidade, no caso de fracasso da articulação, é acompanhar o vice-presidente Hamilton Mourão e ingressar no Republicanos. Tanto numa quanto noutra opção, a aposta é alcançar o eleitorado bolsonarista. Para isso, como aconteceu em 2018, espera contar com acenos do próprio presidente e dos seus filhos na campanha.

Como credencial, Charlles Evangelista tem o alto índice de participação nas votações favoráveis ao Governo Bolsonaro: 96%. Ele também vai repetir a dobradinha vitoriosa com a Delegada Sheila, que também vai fazer o mesmo movimento de mudança partidária. Os dois atualmente atuam juntos e dividem a maioria das bases eleitorais na região.

Ione é a mais cortejada

Quem também ensaia uma mudança de partido é Ione Barbosa, atualmente no Republicanos. Sem necessidade de janela, por não ter mandato parlamentar, importa no seu caso apenas o prazo de seis meses anterior às eleições, no caso, dia 2 de abril. Por enquanto, ela definiu apenas que será candidata a deputada federal.

Depois de estrear nas urnas em 2020 na disputa pela Prefeitura de Juiz de Fora, obtendo 56.699 votos e ficando em terceiro lugar, Ione se tornou o sonho de consumo da maioria dos partidos e grupos políticos locais. Por ora, ela tem certeza apenas que não vai procurar nenhuma legenda com possibilidade de integrar federações partidárias.

Ione aparece como aposta não só para 2022, mas também para 2024, para pelo menos dois partidos: Avante e PROS. Mesmo com toda articulação do ex-prefeito Bruno Siqueira, que trabalha com a formação da chapa de candidatos a deputado do Avante, Ione caminha para se filiar ao PROS. Pesou o projeto de construção de um grupo próprio e a autonomia no município.

Isauro espera posse antes da janela

Atual suplente de deputado na Assembleia de Minas, Isauro Calais (MDB) espera assumir o mandato ainda antes do término da “janela de partidária”. Seu retorno ao Parlamento mineiro, que aconteceria após a aposentadoria do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Sebastião Helvécio, em novembro de 2021, acabou se arrastando além do esperado.

Até o início do ano, a vaga no TCE, que é de indicação da Assembleia, tinha um nome praticamente definido: Sávio Souza Cruz (MDB). O processo, no entanto, acabou sendo cooptado pela conturbada sucessão estadual e promete um desfecho apenas para março ou abril. Com isso, Isauro terá que aguardar um pouco mais.

O problema, no seu caso, é que, a depender dos desdobramentos das alianças a serem formatadas até 1º de abril, o juiz-forano pode assumir o mandato com um dos poucos remanescentes da bancada do MDB.