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Conjuntura

Forças de segurança de Minas voltam às ruas e falam em ‘parada geral’

Organizadores calculam 40 mil pessoas na mobilização dessa quarta-feira (9) em Belo Horizonte (Foto: Divulgação)

Agentes das forças de segurança do estado voltaram a tomar as ruas da região central de Belo Horizonte nessa quarta-feira (9) para pressionar o governador Romeu Zema (Novo) a conceder recomposição salarial de 24%. Essa é a segunda grande manifestação da categoria, que se reuniu pela primeira vez no dia 21 de fevereiro, quando deflagraram o movimento de greve.

No início do ato dessa quarta-feira (9), um dos líderes da manifestação, o presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra/MG), sargento Marco Antônio Bahia, antecipou o risco de endurecimento do movimento caso as negociações não avancem.

“A possibilidade de parada geral da segurança pública pode ser uma realidade. Vamos realizar uma Assembleia, ainda hoje, para chegarmos a um consenso a respeito dos rumos da greve. Queremos entrar em acordo com o governo, mas se isso não ocorrer, a possibilidade de parada geral poderá ser certa”.

Depois de 17 dias de paralisação, profissionais da segurança pública começam a ver a via da radicalização do movimento como o caminho para demover o governo de Minas, que até agora ofereceu reajuste de 10,6% e triplicou o valor do auxílio-fardamento. A previsão dos organizadores era que 100 caravanas do interior desembarcassem nessa quarta-feira (9) em Belo Horizonte.

Seis ônibus com agentes das forças de segurança deixaram Juiz de Fora nessa manhã para participarem da manifestação em Belo Horizonte. Por volta das 14h, o Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol), informou que cerca de 40 mil pessoas participavam da manifestação, que seguirá até o término do dia.

As forças de segurança, conforme a legislação vigente, são proibidas de fazer greve. As manifestações podem acontecer, mas sem interrupção do trânsito e sem gerar problemas para os cidadãos.  Como na mobilização de fevereiro, nessa quarta-feira (9) também houve transtornos no trânsito da região central de Belo Horizonte. Os policiais, no entanto, afirmam que não estão em greve, mas atuando na “estrita legalidade”, sem mover esforços além do que é estabelecido nas normas de trabalho.

Quais são as reivindicações das forças de segurança

Desde o início, os agentes das forças de segurança do estado cobram do governador Romeu Zema (Novo) o cumprimento do acordo firmado em 2019, que previa recomposição salarial dos servidores anualmente. Na ocasião, o governo apresentou uma proposta, aprovada pela Assembleia de Minas na forma de projeto de lei, concedendo recomposição escalonada de 13% em 2020, 12% em 2021 e 12% em 2022. No entanto, somente o primeiro reajuste foi pago.

Depois da primeira grande manifestação de fevereiro, o governador apresentou uma proposta de reajuste para todo funcionalismo público mineiro de 10,06% e acréscimo nos valores de ajuda de custo e auxílio-alimentação, passando de R$ 47 para R$ 75. Para os policiais, três parcelas de auxílio-fardamento de R$ 2 mil. Atualmente o benefício contempla apenas uma parcela.

Na última quinta-feira (3), a secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Luísa Barreto, recebeu as lideranças sindicais na Cidade Administrativa, mas não houve qualquer avanço nas tratativas. O governo de Minas argumenta que a recomposição de 10,06% proposta ao funcionalismo o público está dentro do limite prudencial de gastos com pessoal conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Equipes de TV são atacadas na manifestação, e jornalista sofre trauma auditivo

Enquanto faziam a cobertura da manifestação das forças de segurança do estado, os jornalistas Laura França e Caio Tárcia, da Band, precisaram ser socorridos após bombas estourarem próximo aos locais onde eles trabalhavam na região central de Belo Horizonte.

Segundo a emissora, Laura França estava na Praça da Estação e sofreu trauma auditivo. Já Caio Tárcia foi hostilizado e alvo de uma bomba enquanto acompanhava o ato em direção à Praça Sete. Ambos vão passar por novos exames ainda nesta quarta-feira (9).

Antes da manifestação, a Justiça de Minas havia proibido o uso de bombas e foguetes. As recomendações foram acordadas com o Ministério Público e indicam o chefe da Polícia Civil, o comandante-geral da Polícia Militar e o comandante-geral do Corpo de Bombeiros como responsáveis no caso de descumprimento das determinações.

Por meio de nota, a Polícia Militar informou que a manifestação “envolve quatro categorias da segurança pública: Sistema Prisional, Polícias Civil e Militar, e o Corpo de Bombeiros Militar” e que “cada órgão é acompanhado e supervisionado por sua respectiva corregedoria”.

A Band repudiou os ataques e cobrou apuração. “O Grupo Bandeirantes repudia e cobra providência acerca dos incidentes ocorridos durante a manifestação das forças de segurança pública em Minas Gerais que colocaram em risco a integridade física de dois profissionais da empresa: Laura França, da TV Band Minas, e Caio Tárcia, da Rádio BandNews FM BH.”

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJMPG) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiaram “mais uma violência sofrida por jornalistas em manifestações dos policiais e cobram do governo do estado, do Ministério Público e da própria Polícia Civil que os fatos sejam apurados e os responsáveis punidos”. Na manifestação de fevereiro, uma equipe da TV Globo foi cercada, xingada e hostilizada, sendo obrigada a deixar o local.

As duas entidades também exigiram garantia de segurança para os jornalistas em atos das forças de segurança pública e que os casos envolvendo os jornalistas da Band e da Globo sejam rigorosamente apurados e severamente punidos. “É inaceitável que as forças de segurança do estado ajam com violência e hostilidade para impedir o trabalho da imprensa.”