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Conjuntura

Lula pede ‘maturidade’ ao PT para apoiar Kalil e lança Reginaldo Lopes ao Senado

Lula ao lado do deputado federal Reginaldo Lopes (Foto: Reprodução/YouTube)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconheceu a ausência de uma candidatura competitiva do PT para o governo de Minas e indicou a aliança com o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), como caminho para os petistas no estado. “Se nós não temos (candidatura própria), teremos que ter maturidade para reconhecer que, de fato, não temos, que não construímos essa candidatura. Então, vamos procurar saber com quem podemos fazer aliança. Hoje, podemos fazer aliança em Minas Gerais com o Kalil”.

As declarações foram dadas durante entrevista à rádio Itatiaia, na manhã desta quinta-feira (10), ocasião em que ele também lançou o deputado federal Reginaldo Lopes (PT) como candidato ao Senado. “É notório e público que o PT tem interesse em ter o Reginaldo como candidato ao Senado. Porque ele é bom candidato. Ele já provou que tem voto e já provou que é o deputado mais votado. Ele é uma pessoa muito querida em Minas Gerais e nós trabalhamos com a ideia de que o Reginaldo seja o candidato ao Senado do PT por Minas Gerais”.

Mesmo indicando sua opção por Kalil, o ex-presidente negou que tenha se encontrado com o prefeito da capital mineira recentemente. “O PT precisa tentar construir isso. Quando o Kalil encerrar seu mandato (desincompatibilizar), vamos conversar com ele. Acho que temos condições de ganhar (a eleição) para a Presidência da República em Minas Gerais e para o Governo de Minas Gerais com o Kalil”.

Lula fez questão de se referir ao prefeito de Belo Horizonte como “companheiro” por mais de uma vez durante a entrevista e alfinetou o diretório do partido no estado ao afirmar que a aliança com o PSD já poderia ter sido construída em 2020. Ele tratou o lançamento da candidatura do ex-deputado Nilmário Miranda (PT) na ocasião com “vexatório”. “Ele (Kalil) é um companheiro que está fazendo um bom governo”.

Questionado se o prefeito de Belo Horizonte dependeria do apoio do PT para derrotar o governador Romeu Zema (Novo), o ex-presidente adotou a via diplomática. “Seria presunção da minha parte dizer que o Kalil só ganha com o apoio do PT. Uma política de alianças é como se fosse uma via de duas mãos. Ou seja, se nós nos juntarmos ao Kalil, nós vamos ajudar o Kalil, mas certamente o Kalil vai nos ajudar também”.

Em relação ao anúncio feito na noite de ontem pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), de que não será mais candidato à Presidência da República, Lula avaliou que o senador mineiro, mesmo sem ter declarado de público que tinha a intenção de entrar mesmo para a disputa, “tomou a decisão certa” ao comunicar que não irá concorrer ao cargo este ano. Reforçando o que Rodrigo Pacheco havia dito em seu anúncio, o petista concordou que o senador terá “um papel importante” a desempenhar na Presidência do Senado ao longo deste ano.

Aliança com o ex-adversário Geraldo Alckmin

Questionado quanto à aliança com o ex-governador de São Paulo e ex-candidato à Presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin, Lula disse que não vê incoerência na decisão e que aprendeu fazer política respeitando os adversários. “Se você não votou em mim no passado e for votar agora, eu não vou recusar.”

O ex-presidente lembrou que tem “amizade histórica” com tucanos e citou nominalmente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador José Serra. Tomando o futebol como exemplo, prática que usou ao longo de toda sua vida pública, Lula explicou seu modo de agir aos críticos da aliança. “Eu tive divergência com o meu irmão Frei Chico, que jogava em um time e eu em outro”, numa referência ao irmão biológico que o levou para a militância política.