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Conjuntura

60% dos eleitores de Juiz de Fora não sabem citar o nome de nenhum dos 19 vereadores

Um ano após a posse, 60 eleitores não se lembram mais dos vereadores (Foto: CamaraJF)

Um ano após a posse, 60% dos eleitores de Juiz de Fora não conseguem citar o nome de nenhum dos 19 vereadores. Cido Reis (Rede) lidera a lista dos mais conhecidos, sendo lembrado por 6,22% dos juiz-foranos. Somente oito vereadores foram nomeados por mais de 2% dos entrevistados. Sobre a direção da Câmara Municipal, apenas 8,8% mostram algum tipo de conhecimento.

Os dados são de uma pesquisa encomenda pela Mesa Diretora da Casa para avaliar o conhecimento da sociedade sobre a programação da JFTV Câmara. O Pharol teve acesso apenas ao conteúdo referente ao conhecimento da população em relação aos vereadores. Os demais dados serão divulgados pelo presidente da Câmara Municipal, Juraci Scheffer (PT).

A pesquisa realizada pela GMR Inteligencia de Mercado, contratada por meio de licitação por R$ 93 mil, também mapeou “assuntos de interesse público que orientem o conteúdo das informações a serem disseminadas”. Os entrevistados foram ainda questionados quanto à percepção de eficiência e racionalidade da Câmara Municipal na aplicação dos recursos públicos.

Desconhecimento e desilusão justificam desinteresse pela política

A queda do interesse geral por política entre os eleitores brasileiros está atrelada em parte à falta de compreensão sobre o sistema político. É o que aponta o estudo Panorama Político 2022: opiniões sobre a sociedade e democracia, elaborado pelo Instituto DataSenado, com colaboração da Universidade de Brasília (UnB).

Para os eleitores entrevistados, um dos motivos do desinteresse é o baixo nível de conhecimento sobre o sistema político, atrelado a deficiências no ensino, que não transmite informações sobre o tema de forma clara. O sentimento de desilusão também foi citado, assim como a percepção de que os atores políticos buscam manter a população alienada dessas questões.

“O eleitor diz que não recebeu educação política, não entendeu como funciona o sistema político, quer que isso mude, mas não sabe como. Então é um momento complicado na cabeça do eleitor brasileiro”, explica a diretora da Secretaria de Transparência do Senado, Elga Lopes.

Na busca por conhecimento do processo político, os eleitores recorrem à televisão (37%), redes sociais (24%) e páginas na internet (23%). Nas redes sociais, a maior procura é pelo Facebook (35%) e pelo Instagram (27%). Entre os grupos focais, as redes sociais e os portais jornalísticos se sobressaem, especialmente entre os mais jovens, enquanto a TV atrai a faixa etária mais avançada.

“No entanto, o uso da TV como meio de informação divide opiniões no estudo qualitativo. A maior parte dos entrevistados avalia que a TV é tendenciosa e distorce as informações para atender interesses de determinados grupos econômicos e políticos. Ao contrário da internet, que permite ao cidadão buscar informações livremente, a TV é vista como manipuladora. Como consequência, gera uma falta de credibilidade em uma parcela dos entrevistados”, aponta o relatório do DataSenado.

Pelo menos 72% dos brasileiros já viram, leram ou ouviram notícias políticas que desconfiam serem falsas. A pesquisa mostrou que é mais comum receber notícias aparentemente não verídicas entre os que acessam as redes sociais (74% deles dizem receber esses conteúdos) com relação aos que não as utilizam (64%). Entre os usuários de redes sociais, pelo menos 20% confirmam utilizá-las para conversar sobre política.

Entre os entrevistados, 58% são das Regiões Sudeste e Sul, 26% do Nordeste, 8% do Norte e 8% do Centro-Oeste, sendo que 37% vivem em municípios com mais de 50 mil e até 500 mil habitantes.

O maior grupo (47%) tem até o ensino fundamental completo. O público é formado por 45% de pardos, 44% de brancos e 10% de negros. Os ocupados são 60%, enquanto 30% se disseram fora da força de trabalho; e 45% têm renda familiar de até dois salários mínimos.

A maioria (55%) diz não ter posicionamento político. Do restante, 21% dizem ser de direita, 11% de esquerda, 9% de centro e 4% não sabem ou não quiseram responder.

* Com informações da Agência Senado