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E esse frio, hein?! Vontade de ir para Ibitipoca

Expectativa é de crescimento do turismo na vila com a antecipação do inverno (Foto: Leonardo Costa)

Quem já subiu a “serra que estala” e nunca pensou em voltar toda vez que uma frente fria chega? Há quase um senso comum mineiro de que, se for para curtir o frio, que seja em Conceição de Ibitipoca, distrito de Lima Duarte.

E como a última frente fria que desembarcou por aqui no início da semana derrubou temperaturas e insiste em permanecer, por que não ir para Ibitipoca? A expectativa é de que o inverno antecipado eleve a ocupação hoteleira no pequeno vilarejo.

Com a melhora nas reservas dos hotéis e pousadas, os donos de bares e restaurantes de Ibitipoca prepararam uma programação especial e muitos eventos para ir bem agasalhado. Na vila, música ao vivo nos bares sempre tem, geralmente de quinta a domingo. Mas é na época do frio que a agenda local esquenta.

Para junho, já estão programados eventos como a Balancê – Festa Junina de Santo Antônio – no Camping do Toninho (11/06); o Planeta Ibitipoca com show de Natiruts no Alpha Ville Chalés (18/06) e o Muriqui Sounds no Comuna do Ibitipoca (25/06). Ainda terá Arraial de São João de 24 a 26 de junho, na Praça de Eventos, com forró, quadrilha, casamento na roça e pau de sebo. No mês seguinte, tem o Ibitipoca Jazz Festival que é uma tradição, mas as datas ainda não foram anunciadas. O Ibitipoca Blues vai de 26 a 28 de agosto.

Para a turma do dia, uma boa pedida é a Volta das Transições (@voltadastransicoes), um roteiro de cicloturismo que é um produto turístico do Circuito Serras de Ibitipoca. O roteiro é autoguiado. São 390 km passando por dez cidades e 25 vilas e percorridos em sete etapas – uma por dia. “Muito bacana, cada estradinha, cada visual. E o roteiro contempla, além da bela natureza aqui da região, a gastronomia, a história e a cultura. O cicloturismo está em alta”, diz Giglia.

Os cicloturistas chegam a pedalar 390 km passando por dez cidades e 25 vilas em sete etapas – uma por dia (Foto: Felipe Couri)

O cicloturista pode viajar sozinho ou em grupo, do jeito que ele quiser. É gratuito, é só o ciclista pegar as informações no site. Mapas, planilhas, GPS, enfim, lá tem todas as informações sobre cada etapa, com dicas de alimentação e hospedagem. Mas pode também fazer com o suporte e apoio de uma operadora local, no caso, a Sauá Turismo.

A inscrição é para que o ciclista receba um certificado no final da Volta, depois de ter completado tudo. Ele vai percorrendo as cidades e pegando o carimbo que comprova que ele passou por ali. A melhor época para fazer o roteiro é agora entre o outono e o inverno, período sem chuva.

Além disso, a AMAI (Associação de Moradores e Amigos de Ibitipoca) está organizando o Corredor Agroecológico. Quem quiser conferir, é só passar pela feirinha sempre aos sábados, na Praça de Eventos da vila, que tem participação de pequenos produtores locais, com hortaliças, shiitake, quitandas, biscoitos, queijos, mel, doces, compotas e artesanato.

Gastronomia mineira com sotaque carregado

Cheia de charme e fofurice, Conceição do Ibitipoca segue também como destino gastronômico cheio de predicados. No Oliva Bistrô (Rua do Céu), a chef juiz-forana Ana Paula Esteves serve menu completo, com entrada, principal e sobremesa. Destaque para o carré de cordeiro com aligot de baroa, guarnecido com cuscuz de milho crioula e couli de frutas vermelhas: quente, quente, quente!

A chef enfatiza no cardápio da casa uma lista robusta de queijos artesanais, vinhos mineiros (alguns premiados), drinques autorais – como o Coice de Mula (uma releitura do Moscow Mule), sobremesa com doce de leite e tudo que lembra mineiridade. Ela integrou a galeria de chefs que assinaram o Manifesto Maniba, no Fartura Gastronomia, evento que aconteceu em Inhotim, com a participação do Claude Troisgros, para divulgar a cozinha brasileira no exterior.

21 de maio é o Dia da Cachaça Mineira, outro hit no Oliva, que abre aos sábados, domingos e feriados, com reserva: @olivabistroibitipoca.

Reconhecida também pelas iniciativas sustentáveis, Ibitipoca é o terroir do palmito pupunha in natura Barra Alegre, servido no Oliva Bistrô. Ele é cultivado nas serras da Zona da Mata Mineira, atendendo às normas de manejo sustentável e respeito ao meio ambiente. É livre do uso de agrotóxicos e tem licença de plantio, manejo e comercialização do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e Ibama. A Barra Alegre é pioneira no cultivo na região.

Outra boa dica da vila no pós-pandemia é o novo Ibitilua, um dos bares e restaurantes mais antigos da vila, que agora tem como carro-chefe carnes e chopes. Os novos donos, Demócrito Albuquerque e Fabiana Frederico, garantem reunir no espaço simplesmente comida e prosa boa, com o chope artesanal mais gelado da serra. Reserva: @ibitiluarestaurante.

O famoso Cleusa’s virou Pinhão Gastrobar (@pinhaogastrobar), de outro proprietário e cardápio completamente diferente. Saem os pratos da roça, entram petiscos como ​​croquete de pinhão, bacon e patinho moído, empanado com Panko e acompanhado de maionese serrana caseira, entre outras criações.

Uma novidade é o Restaurante Cabra Da Peste (@cabradapesteibiti), lançado no centrinho da vila em 2018, mas ampliado em dezembro passado. O chef Cristiano Nascimento manda para a mesa delícias que misturam sabores mineiros e nordestinos, que vão de bolinho de costela recheado com catupiry, servido em cama de sal grosso e emulsão de mostarda, a jabá do Cerrado: arroz, feijão fradinho e cebola refogado na manteiga de garrafa, carne-seca, creme especial de abóbora, couve crocante e linguiça artesanal. Um capítulo à parte são as torneiras de chope artesanal e a carta de drinques autorais.

O Shopping Portal da Serra também é point, tem de galeria de arte a uma levada de bares, como o Bistrô com Arte (anexo ao ateliê Nathalie Borges), com tapioca, caldos e opções veganas.

Ali também tem restaurante bacana, como o novo The Wall (@thewall.ibitipoca), um bar com pinta de pub e decor aconchegante (mobiliário assinado e paredes de pedra), que serve de sunomono de salmão e salada de polvo a picanha defumada e charcutaria, além de uma adega robusta com rótulos sul-americanos e portugueses, drinques, chopes, sanduíches e pizzas. Só abre no jantar.

Da ala das comidinhas caseiras, o Pimenta de Cheiro (@Pimentadecheiro_ibitipoca), da cozinheira Carla Ribeiro (“pertinho da sorveteria”), é uma das promessas locais, os carros-chefes são carne de panela com mandioca e o tropeiro à mineira.

Isso sem falar que na agenda dos bares e restaurantes da vila há sempre shows com os músicos que moram em Ibitipoca. São nomes como Manu, João di Sá, Fred Fonseca, Raphael Totino, Cláudio Gurgel, Gilbert Salles, Elias Torres, Yanko e Chico Baldutti.

Matéria atualizada às 13h30 de sábado (21).