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Conjuntura

Tusmil pode ser vendida para grupo ligado a prefeito de Patrocínio

Tusmil, que é a única empresa hoje do Consórcio Manchester, espera reverter caducidade para ser vendida (Foto: Câmara JF)

A Tusmil (Transporte Urbano São Miguel Ltda), única empresa remanescente do Consórcio Manchester, pode ser vendida para um grupo empresarial ligado ao prefeito de Patrocínio, no Alto Paranaíba, Deiró Marra (União Brasil), e seu primo Pedro Constantino. Os dois empresários com forte atuação no setor de transportes no país tratam diretamente do negócio com os proprietários da Tusmil.

As conversas avançaram nos últimos dias e dependem agora do aval da Prefeitura de Juiz de Fora. Como a prefeita Margarida Salomão (PT), na última semana, publicou decreto de caducidade do contrato do município com a Tusmil, os compradores esperam reverter a situação para concretizar o negócio. No atual estágio, a negociação fica comprometida por conta da insegurança jurídica.

Os empresários de Patrocínio e representantes da Tusmil chegaram a agendar uma reunião com a prefeita, que acabou cancelando o encontro. Foi solicitada uma nova data para a conversa, mas ainda não há previsão. Ao mesmo tempo, a Tusmil ingressou com recurso administrativo contra o processo de caducidade. Consta na defesa a proposta de um novo grupo empresarial assumir a empresa.

Em entrevista ao jornalista Ricardo Ribeiro, da Rádio Transamérica, na manhã dessa sexta-feira (24), o empresário Júlio Noel, que é um dos proprietários da Tusmil, assegurou que a proposta dos compradores é assumir imediatamente as operações e sanar todas as pendências, como a renovação da frota e a manutenção dos postos de trabalho. O passivo em relação à Gil (Goretti Irmãos Ltda), hoje de responsabilidade da Tusmil, também seria assumido.

Caso mantenha o propósito de seguir com o processo de caducidade, a Prefeitura de Juiz de Fora tem como opção a realização de uma nova licitação para as linhas hoje operadas pelo Consórcio Manchester. Dados a complexidade do certame e o prazo exíguo de 90 dias para sua realização, essa possibilidade está praticamente descartada.

Outra hipótese aventada internamente na Secretaria de Mobilidade Urbana é chamar o Consórcio JF de Transportes Coletivos (composto pela Empresa Valadarense de Transporte Coletivo Ltda e Rodopass Transporte Coletivo de Passageiros Ltda) que foi o segundo colocado na licitação. Nesse caso, há de se considerar o interesse das empresas em assumir ou não o contrato.

A possibilidade mais provável é fazer um contrato emergencial, o que permitiria a contratação de qualquer empresa do segmento com atuação no país. A Prefeitura de Juiz de Fora ainda não se pronunciou sobre qual modelo de sucessão será feito caso o processo de caducidade seja levado a termo. Como a concessão do transporte público foi licitada para um prazo de dez anos, os atuais contratos se encerram em 2026.

Em todas as opções, o compromisso da prefeita com os trabalhadores da Tusmil é a questão mais delicada. Ainda em março, quando a situação da empresa deteriorou-se, Margarida Salomão comprometeu-se com a categoria. “Vamos constituir um programa de contingência para que, seja o que acontecer, os trabalhadores tenham os seus direitos, seu trabalho e seus empregos garantidos”.

Por meio de suas redes sociais, a direção do Sinttro (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Juiz de Fora) disse esperar que a Prefeitura de Juiz de Fora, de forma conjunta com categoria, encontre “mecanismos junto à nova empresa que vier a substituir a Tusmil  para a garantia dos empregos, além de todos os direitos adquiridos pelos trabalhadores junto ao acordo coletivo vigente”.