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Diversidade

Feijão de Ogun para revelar a história não contada de Juiz de Fora

19ª edição do Feijão de Ogun começa nessa quinta-feira e segue com programação até domingo (Arte: Funalfa)

O “19ª Feijão de Ogun – A Construção de Territórios Livres” pretende revelar a história não contada de Juiz de Fora a partir dessa quinta-feira (25) até o próximo domingo (28), com música, dança, roda de conversa, cortejo e exibição cinematográfica. O evento é promovido pelo MNU (Movimento Negro Unificado (MNU) e pelo Instituto Feijão de Ogun.

Criado para ressignificar as políticas públicas municipais, o evento tem como proposta discutir as desigualdades que atingem a população negra e a importância de perpetuar sua cultura. Assim como Ogun, o orixá dos caminhos abertos, o Feijão de Ogun procura estabelecer espaços para os povos e as comunidades tradicionais de matriz africana. 

Para isso, a participação dos povos negros na história da cidade vai ser reinvidicada. Em um movimento transpassado também pela reflexão. “Quantos bustos e homenagens temos a negros em nossa cidade? Após tanta luta para que os movimentos negros fossem minimamente reconhecidos, em que patamar estão?”, questiona Marcony Coutinho, do Movimento Negro Unificado.

Segundo ele, figuras importantes como Roza Cabinda, Negro Teófilo e outros, todos símbolos de resistência em uma realidade escravocrata, foram apagados da história oficial. “Há uma lacuna deixada na história de Juiz de Fora, uma vez que figuras importantes para a construção do que conhecemos hoje não recebem o reconhecimento que lhes são de direito”. 

Em contraposição, Marcony cita o Comendador Henrique Guilherme Fernando Halfeld, que foi dono de pessoas escravizadas, sendo o escravizador de Roza Cabinda, e atualmente é homenageado, com as principais rua e praça da cidade recebendo o seu nome. “Inclusive, existe uma medalha chamada Comenda do Mérito Henrique Halfeld, com o objetivo de reconhecer pessoas que se destacaram na cidade.”

Marcony, por outro lado, reconhece alguns avanços nas políticas públicas voltadas para a população negra. Ele cita a implantação dos comitês de Saúde da População Negra e da Diversidade Religiosa, a realização da 5ª Conferência Municipal pela Igualdade Racial e a aprovação da Lei de Cotas nos concursos públicos municipais. “Mas ainda há um grande caminho a ser percorrido. Continuamos lutando pela ampliação dessas políticas.”

As rodas de conversa que acontecerão do decorrer da programação buscam levar esse debate até a população. Um modo de avançar e fortalecer as proposições de políticas públicas para os povos negros, com foco nas religiões de matriz africana.

Programação

Dia 26 – Sexta-feira

  • 10h às 21h – 2ª Feira de Etnodesenvolvimento e Economia Solidária – Parque Halfeld
  • 10h – Discotecagem com DJ Alex Paz
  • 14h – Roda de Conversa – Saúde da População Negra e os Conhecimentos Tradicionais dos Povos de Matriz Africana
  • 16h – Discotecagem com DJ Alex Paz
  • 18h – Mulheres do Samba
  • 19h – Paticumbum
  • 20h – Ingoma

Dia 27 – Sábado

  • 9h – Encontro das Mães do Axé: Cambonas, Ekedys, Makotas, Ajoiés e Iyarobás
  • 10h às 21h – 2ª Feira de Etnodesenvolvimento e Economia Solidária – Parque Halfeld
  • 10h – Caminhada Juiz de Fora Negra
  • 11h – Discotecagem com DJ Alex Paz
  • 14h – Roda de Conversa Inter-Religiosa, com Leonardo Boff e Mariana Gino
  • 15h30 – Guerreiras de Clara
  • 17h – Slam de Ogun, com apresentação de Laura Conceição
  • 19h30 – Muvuka

Dia 28 – Domingo

  • 10h às 18h – 2ª Feira de Etnodesenvolvimento e Economia Solidária – Parque Halfeld
  • 11h– Roda de Capoeira
  • 12h – Distribuição do Feijão de Ogun em instituições que atendem a população de rua
  • 13h30 – Afrolata
  • 14h30 – Batuque na Roda
  • 16h – Samba de Roda com Diogo Veiga e Makamba

* Estagiária sob supervisão de jornalista profissional.