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Polytheama

Sandra Portella, com outras guerreiras do samba na Portela

Sandra: “O Carnaval é o único momento em que o povo é igual, desce do barraco e na avenida é o rei” (Foto: Divulgação)

E assim, no sapatinho, miudinho, devagar, devagarinho, a juiz-forana Sandra Portella (com dois “L”s mesmo) vem conquistando uma vaga no panteão do samba carioca. Primeiro, há cinco anos, quando chegou de mala e cuia ao Rio, vieram os convites para uma roda aqui e outra acolá, numa semana sim e na outra também. E agora, essa surpresa com sabor de vitória, glória e glamour: a chance de ter uma música sua repetidas várias vezes na avenida em 2023.

Os baluartes da Portela, a porta-bandeira mais famosa e inúmeras personalidades de destaque que marcaram a escola de Madureira compõem o samba-enredo feito por Sandra e que concorre na Portela. Escrita em parceria com as compositoras Meri de Liz, Rozzi Brasil, Ana Quintas, Simone Lyns e Andréa Moreira – as Guerreiras -, a música aborda a trajetória desde a chegada de Paulo da Portela (e como deu origem à agremiação) aos dias de hoje, quase cem anos depois. Em 2023, a Portela comemora um século!

“Um samba escrito só por mulheres”, destaca Sandra, que decidiu entrar para a disputa na Azul e Branco por uma razão afetiva. “Fui convidada a integrar o time das Guerreiras, onde me encaixei plenamente. Mulheres que compõem e lutam a semana inteira, batalham duro, com problemas, que se estressam, mas que se entendem. Um convívio que acaba sendo de entendimento, isso torna tudo mais gostoso. Quando só tem mulheres, a gente sabe do que a outra precisa e o que merece. A gente tem muito amor uma pela outra.”

É a primeira vez que Sandra Portella assina uma composição de samba-enredo. A relação dela com escola de samba, no entanto, já é de longa data. Sempre com uma turma de Juiz de Fora participando como cantora de palco, apoio, passando por Tijuca, Mangueira, Grande Rio…

“Na Portela, defendi o samba ao lado do Wander Pires esse ano, a parceria campeã. Tem um valor cultural, já que aprendo muita coisa com o samba-enredo, com os intérpretes e compositores. Amo participar.”

Se não é na quadra, é no estúdio fazendo coro na gravação da trilha das escolas. Filha de sambistas – a mãe, Leci do samba, uma das fundadoras da Juventude Imperial, em Juiz de Fora, e o pai, Guida Tiroti, da Imperatriz Leopoldinense -, Sandra carrega a resistência da folia na veia. “O único momento em que o povo é igual, desce do barraco e na avenida é o rei.”

Xô machismo!

Nunca vai ser demais lembrar que o samba que leva o nome de Sandra Portella carrega também o de outras mulheres. Apenas mulheres. “Há muito carinho e atenção.”

Para ela, o mais poderoso nisso tudo é participar com total liberdade de todo o processo e, principalmente, o da composição, feito inédito em sua trajetória no Rio. Sandra Portella, das Guerreiras, está atrás de patrocínio e auxílio financeiro para colocar artistas no palco durante as eliminatórias e, assim, mostrar seu lado compositora. Abraçada pela parceria 100% feminina!

Desde 2017 no Rio, morando no Estácio com a filha e o filho, mas com o pé sempre em Juiz de Fora. A agenda bomba aqui e lá! Do carioca bar do Zeca Pagodinho ao mineiro Rivais da Primavera. “Por ser muito próximo, a 040 uma linha reta, facilita muito a conexão e até mesclar influências, não à toa, Juiz de Fora é uma cidade de grandes sambistas.”

Vitrine nacional e porta-voz do samba, o Rio de Sandra Portella passa pela história. Ela chegou na cidade pela Lapa e dois anos depois partiu para o Estácio, berço do gênero. Mas ela também vem querendo apostar as fichas em São Paulo, onde pretende se encaixar na cena sambista. “Esperando a hora certa. Tudo no seu tempo.”

A questão dos dois “L”s é antiga. Sandra era caixa de supermercado quando foi descoberta cantora, e naquela época, ela conta, uma amiga portelense a chamava de Portela. Só que… “Eu não queria intimidade com uma escola que nem sabia os detalhes, não conhecia tanto para ter este nome, mas me permiti a usar dois ‘L’s para que soasse como sobrenome. Não me sentia preparada para ser acusada de usar o nome da escola para me promover. Meu talento independe se sou Sandra Portella e Maria João.”

A Portela, por toda a sua história, o que ela representa, os nomes emblemáticos, colou. E assim ficou!

A festa dos 100 anos em 2023

No ano do centenário, a Portela anuncia que vai contar a própria história na Sapucaí. Um vídeo nas redes sociais traz a participação de personalidades da agremiação, como Tia Surica e Paulinho da Viola.

Os carnavalescos Renato e Márcia Lage vão executar o enredo, narrado a partir do olhar de cinco baluartes: Paulo da Portela, Natal, Monarco, Tia Dodô e David Corrêa.

Em tempo: para quem quer botar seu bloco na rua, a Prefeitura do Rio já está recebendo pedidos de autorização para  os blocos desfilarem no carnaval de rua em 2023.