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Contexto

Como fica o governo do PT em Juiz de Fora com a eleição de Lula?

Margarida ao lado da futura primeira-dama Janja da Silva e do presidente eleito Lula durante a campanha em Juiz de Fora (Foto: Ricardo Stuckert)

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) no primeiro e no segundo turnos em Juiz de Fora com considerável vantagem. O confronto entre dois pelo voto dos juiz-foranos rendeu ao município o ineditismo de cinco visitas de presidenciáveis – duas de Lula e três de Bolsonaro – entre a pré-campanha e a campanha.

A importância dada a Juiz de Fora durante a campanha gerou uma imensa expectativa dos dois lados quanto aos desdobramentos futuros. Com a eleição de Lula, os dividendos da vitória e as perspectivas ficaram com o PT capitaneado pela prefeita Margarida Salomão (PT). Além da eleição presidencial, ela conseguiu emplacar sua ex-secretária de Saúde, Ana Pimentel (PT), como sua sucessora na Câmara dos Deputados.

Como não bastasse, Margarida viu seu secretário de Planejamento, Martvs das Chagas, ser convidado para compor o grupo de Igualdade Racial no governo de transição. Ela também integrará uma comissão nacional de prefeitas e prefeitos que será recebida por Lula para tratar de demandas municipalistas. A aposta é de que, mesmo com Copa do Mundo, a onda Lula seguirá “surfável” até a posse.

Das duas vezes que esteve em Juiz de Fora, Lula fez apenas uma promessa pontual. Em maio, no ginásio do Sport Club, ele prometeu a Margarida viabilizar o funcionamento do Aeroporto Regional da Zona da Mata. Recentemente, durante conversa com jornalistas, a prefeita retomou a questão e considerou o espaço viável como polo para transporte aéreo de cargas.

Na mesma ocasião, Margarida falou da aposta na retomada dos programas “Mais Médicos”, que coloca recursos federais para contratação dos profissionais, e do “Minha Casa, Minha Vida”, que subsidia a aquisição da casa ou apartamento próprio para famílias de baixa renda. Outro gargalo do município, o transporte público coletivo não esteve na pauta.

Questionada quanto ao risco da manutenção da polarização política até 2024 e se disputaria a reeleição, Margarida respondeu diretamente a primeira parte da pergunta. “Não vejo, nesse momento, uma cidade vivendo um acirramento. Vejo a cidade tranquilizada”. Em seguida, mencionou a existência local de “uma onda de progresso”, recomendou ser necessário “pensar grande” e concluiu: “O momento para nós é bom”.

Dentro e fora do PT, a forma como Lula venceu na Zona da Mata e, especificamente, em Juiz de Fora é vista como sinônimo de fortalecimento político de Margarida. A aposta é de que, pelo menos por ora, a prefeita seguirá para a reeleição sem fazer concessões para tentar abarcar eventuais aliados. Entre seus possíveis adversários em 2024, a ordem uníssona é para aguardar a onda Lula passar para as pautas municipais voltarem a emergir.