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Colunas

1° de Maio

A França é piada para alguns países europeus: lá, quando não é feriado, estão de greve em uma manifestação.

Quem dera tivéssemos essa piada brasilis.

Lá em Paris, na segunda-feira a Place de la République, a da Bastilha, a Léon Blum, o Boulervard Voltaire e tudo quanto é canto onde caiba um tanto de gente, um carro de som ou um trabalhador solitário com uma bandeira vai ter gente. Na janela de casa ou na buzina do carro vai ter uma bandeira de protesto contra a reforma da previdência.

A França adora um debate, tudo se debate por lá. Na rua, no rádio, na televisão, na internet, sempre tem especialistas debatendo, falando, fundamentando e até pitacando de trás da orelha, como em todo lugar. A reforma da previdência está nas manchetes francesas e levará multidões às ruas na segunda-feira, dia 1° de maio.

No Brasil a reforma já foi aprovada. Não é piada.

Quando os movimentos sociais…

Movimentos sociais = esquerda, né? Olha que absurdo! A esquerda pensa na sociedade, no próximo, no coletivo. A direita fala que pensa e só tem olhos para o próprio umbigo, que ela chama de espelho. Ah, Narciso…

Quando os movimentos sociais optaram por preservar a vida e ficar em casa durante a pandemia, a ultradireita seguiu na corrida de obstáculos sem cavaletes. Fez e aconteceu, da imunidade de rabanho que matou uma pá de gente no Amazonas ao atraso na vacinação, chegando a pregar que a cloroquina resolveria a pandemia, ou o ozônio. A reforma da previdência já estava aprovada desde 2019.

Aos poucos, com afastamento, cuidado, respeito, as ruas voltaram a ser ocupadas pelos protestos. A direita também se achou no direito e foi celebrar com o ex-presidente o 7 de setembro para repetir discursos de ódio contra o STF. Ou seja, para enfatizar o que no Brasil parece uma verdade absoluta: lei é opcional.

Assim seguiram matando pretos, pobres, imigrantes, mulheres, Marielles… Matando o Brasil. Aos poucos, ao longo da pandemia, ou até antes, com a reforma trabalhista de Michel Temer, a população foi colocada de volta na rua. Os protestos voltaram quando as medidas sanitárias permitiram. Os moradores de rua viram sua população crescer pela falta de escolha.

O crescente sucateamento da CLT, que sofreu mais de 3 mil modificações nesses 80 anos que completa em 2023, todas em detrimento do trabalhador, mostrou que funcionário bom é o escravizado. O Brasil vai chegar lá se conquistar mais um ou dois golpes de Estado.

Dia 1° de maio é dia de luta. No mundo todo. Feriado é bom, descansar é bom, e bom para o trabalhador e para o patrão também, quem estuda um pouco de Marx, Keynes ou De Masi entende. (Marx e Keynes na mesma frase pode?)

O feriado do 1° de maio é para lutar por outros feriados, porque um feriado é o reconhecimento de uma homenagem. No Finados pensa-se nos que se foram, no Natal nos que vêm; no 1° de janeiro celebra-se o ano novo e no Carnaval rompem-se os limites. No 1° de maio, o trabalhador vai para a rua. Fala, protesta, briga para poder estar na praia em outros dias. Para poder ter condições dignas para fazer isso.

O Dia do Trabalhador não pode ser uma piada no Brasil.