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Flores e frutos

Todo mês de outubro traz duas datas comemorativas que considero extremamente significativas. A primeira delas é o “Dia das Crianças”. Criado em 1924 por um decreto presidencial e absorvido para o consumismo após uma campanha publicitária da fábrica de brinquedos Estrela (1960), esta data é também uma oportunidade para que possamos refletir a respeito do papel da paternidade e da maternidade na educação da infância. E, por uma feliz coincidência, no mesmo dia 12 acontece o feriado de Nossa Senhora Aparecida: a homenagem a Maria é, também, uma homenagem à maternidade.

Logo depois, em 15 de outubro, é comemorado o “Dia do Professor”. Oficializada em 1963 como feriado escolar por outro decreto federal, a data também faz referência à infância, ainda que não se restrinja a ela. Em todos os casos, o objetivo é valorizar os profissionais que – na sociedade – assumem o papel de transmitir conhecimentos entre gerações.

Em dias tão próximos, a criança é lembrada em dois espaços que são essenciais na sua formação: o lar e a escola. Há, decerto, muitas diferenças entre estes ambientes. Confundi-los, na verdade, é um risco para o pleno desenvolvimento da infância, como ocorre quando pais e mães se omitem, esperando que professores assumam o protagonismo na educação moral dos filhos. Como um docente, no curso das poucas horas em que divide sua atenção entre dezenas de crianças, poderia realizar com sucesso algo que os pais (que permanecem com a prole por muito mais tempo) negligenciam?

Feita esta ressalva, não há dúvidas de que existem pontos em comum entre os papéis de educadores e genitores. Foi nisso que pensei ao ler uma das tantas obras para nós trazidas pelas mãos de Francisco Cândido Xavier. No capítulo XIX de “Libertação”, são listadas algumas diretrizes daquilo que uma criança que está para nascer “pede” à futura mãe.

Essencialmente, há uma reflexão sobre a necessidade de dosar amor e disciplina na educação das crianças: “A árvore benfeitora não prescindirá do carinho e da assistência constante do pomicultor. É imperioso reconhecer, porém, que somente se fortalecerá sob a temperatura atormentadora da canícula, debaixo de aguaceiros salutares ou ao golpe da ventania forte”. Em outro momento, ele resume: “a ternura absoluta é tão nociva quanto a absoluta aspereza”.

Esta regra, creio, vale igualmente para a atuação dos profissionais da educação. Tão nocivo quanto um professor “carrasco” – que exige em excesso, causando bloqueios e traumas entre os alunos – é o professor excessivamente “bonzinho” – que nada exige, incentivando a ociosidade. Ambos não estão preocupados com o futuro de seus alunos. No meio termo entre eles, fica a difícil terra da educação responsável. Só ela protege sem criar flores de estufa, só ela restringe sem bloquear o germinar dos frutos.

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