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Colunas

A coisa mais nojenta do mundo

Barata. Muita gente fala que barata é o troço mais nojento do mundo. Barata anda por tudo quanto é canto: esgoto, privada, ralo, rua asfaltada, parede da sua casa e, se bobear, dá um chêgo na sua despensa. E aí cê grita eca!, tampa o chinelo nela, gasta o Baygon inteiro e ela continua andando. Volta lá: gasta o Baygon in-tei-ro, um troço que mata até gente se beber, e a barata continua andando. Às vezes. Se ela continua andando, com verme é que não tá.

Tem muita coisa nojenta no mundo, nojenta de verdade, não é nojinho de madame de pegar pobre, preto e piolho. Esse nojinho tem nome e se chama ignorância. Outros nojinhos até são divertidos.

Meleca. Todo mundo tem ou então o pulmão tá cheio de impureza. A meleca existe pelo bem da humanidade e não custa pro proprietário dela nada além de uma fungada no nariz pra resolver qualquer entupimento. Europeus treinam seus trombones de lenços nas mesas dos restaurantes e nos bancos dos parques silenciosos. No Brasil, quem faz isso é porco. É, melhor mesmo ficar fungando, com coriza, limpando na manga do casaco ou tirando bolinhas e jogando nos cantos por onde passa.

Tem gente que come meleca. Muita gente. Se você não come, seu vizinho deve comer (o meu comia). Ela tá ali, dando mole (ou dura) e pronto, vira happy hour. Um nojo, quase como comer lixo. E tem quem coma lixo.

Ilha das Flores é mais do que um dos 1001 filmes pra se ver antes de morrer: é um retrato da sociedade brasileira. Se naquele momento dividia-se o lixo com os porcos (que, justiça a eles, são asseados), hoje seria luxo ter um porco por ali, outros já teriam virado banquete. E quem comia filé mignon, em 2021 não tem nojo da pele do frango. Nojo é questão de contexto.

O Lula deve ser mesmo O Cara se conseguir pegar a faixa presidencial do Bolsonaro. Na posse, em janeiro de 2019, o atual ocupante da cadeira de presidente tomou posse com o saco de bosta pendurado do lado do corpo. Naquele caso, um exo-cerebelo. Um banho de máquina de lavar na faixa já resolve o problema. Com lysoform.

E o pessoal que vê o futuro na merda? Tem sim, Rubem Fonseca contou no Secreções, excreções e desatinos do sujeito que vê o futuro no formato do que você deixa no vaso. Imagine-se fotografando a cada dia o que fica boiando/agarrado ou desce pelo fundo do vaso sanitário. Pelo menos existe ali uma finalidade mística, é como ler borra de café no fundo da xícara.

E sexo? Perguntaram pra Madonna se é sujo e ela disse que não, desde que você tome banho depois. Fica valendo a voz da experiência.

Tem um negócio que é mais nojento que tudo isso junto, mais até do que usar banheiro químico (“Alguém colocou uma vaca pra cagar aquilo” foi o que disseram uma vez) ou qualquer coisa que te leve a passar álcool gel na mão porque pode ter Covid na espreita. E nem é roer a unha do pé.

Torneira.

Cara, a lógica da torneira é pra acabar com a humanidade pelos canais da falta de higiene. Você pega na torneira pra ligar a água que lava a mão suja que abriu a torneira. E depois, de mão limpa, fecha a mesma torneira.

Tudo o que tinha antes volta pra você depois. Só que você coça o olho e coloca a mão na boca com a mais angelical pureza. E tome coliformes você adentro. Que nojo! E depois justifica a barriga dizendo que é cerveja…

Tinha que ganhar Nobel quem inventou o pedal no chão pra abrir a torneira. Ou o sensor de movimento (que precisa ter foco certo, ou desliga no meio). A torneira de apertar botão é um pouco menos eficiente, geralmente o tempo é pouco, ecológico mais que higiênico.

O mundo é cheio de coisa nojenta, mas a torneira veio pra reinar. É uma solução que traz o problema junto. Igual cachaça. Só que cachaça mata verme.