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Contexto

O que muda com a indicação de Anastasia ao TCU e como isso afeta Juiz de Fora?

Caíram na conta de Rodrigo Pacheco os 52 votos que levaram Anastasia ao TCU (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A indicação do senador Antonio Anastasia (PSD) para o Tribunal de Contas da União (TCU), na disputa mais acirrada dos últimos anos no Senado Federal, vem provocando uma onda de reflexos nas articulações políticas nacional, estadual e mesmo municipal. Em todos os desdobramentos, assim como na própria indicação de Anastasia, estão as digitais do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD).

Em Brasília, os 52 votos que deram a vitória a Anastasia revelaram a fragilidade do presidente Jair Bolsonaro (PL) na Casa. Isso porque o até então líder do Governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), teve apenas 7 votos. Sentindo-se traído, ele entregou a liderança governista na manhã dessa quarta-feira (15).

Além de derrubar o líder do Governo na Casa, Rodrigo Pacheco delimitou os limites para o Planalto com os 52 votos dados a Anastasia. Não é pouca coisa. Para se ter uma ideia, uma Proposta de Emenda à Constituição demanda 49 votos para ser aprovada. Se Bolsonaro entende de alertas, foi soado um perigoso e às vésperas de 2022.

Se os 52 votos já não foram pouca coisa, Rodrigo Pacheco emplacou um aliado no TCU e ganhou um fiel escudeiro no Senado. Alexandre Silveira (PSD), primeiro suplente de Anastasia, ocupa atualmente o cargo de Diretor de Assuntos Técnicos e Jurídicos do Senado, ligado diretamente ao presidente da Casa.

É com essas credenciais que Rodrigo Pacheco seguirá na sucessão presidencial. Se os números nas pesquisas não lhe dão fôlego para permanecer no páreo por muito tempo, sua presença na composição de alianças terá peso decisório. Isso se a mística do vice mineiro não lhe colocar como segundo nome de alguma chapa presidencial.

Em Minas, o presidente do Senado mantém o prestígio alcançado em Brasília. No seu campo de jogo, no entanto, a bola segue com o indecifrável Alexandre Kalil (PSD), prefeito de Belo Horizonte e candidato ao Governo do estado. Nesse sentido, a ida de Anastasia para o TCU coloca mais variáveis na difícil equação mineira.

Diferentemente de Anastasia, conhecido em todo o estado e com a reeleição encaminhada, o delegado Alexandre Silveira terá muito chão para andar se quiser buscar um novo mandato. Além disso, o prazo é curto e a concorrência é pesada.

Se vingar a aliança PSD e PT, o deputado federal Reginaldo Lopes (PT) hoje tem mais musculatura para o Senado. O problema é saber o peso de cada partido na composição. Para colocar o ex-presidente Lula no palanque de Kalil em Minas, o PT abre mão de indicar o vice, mas não pensa em fazer o mesmo em relação à disputa pelo Senado.

Mas será a importância de Kalil para a eleição de Lula e a de Lula para a eleição de Kalil que definirão o tamanho de cada partido na composição. Por enquanto, o ex-presidente segue com maior prestígio e votos no estado. Mas é bom não esquecer que o PSD, além de Kalil, tem Rodrigo Pacheco.

Em Juiz Fora, seguindo a cadeia de desdobramentos, o problema envolve a candidatura ou não de Reginaldo Lopes ao Senado. Herdeiro de algumas bases eleitorais da prefeita Margarida Salomão (PT) na Zona da Mata e nas Vertentes, o deputado pode abrir espaço para Juraci Scheffer (PT), presidente da Câmara, e para Ana Pimentel (PT), secretária de Saúde. Ambos com foco na Câmara dos Deputados.

Por outro lado, com Reginaldo Lopes buscando um novo mandato de deputado, dificilmente Scheffer e Ana Pimentel seguirão no páreo juntos. Aí haverá outro problema: qual dos dois deve seguir?