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Tudo se resolve quando há um culpado

Foi em janeiro de 2015, em Barreirinha, no Maranhão, que o carro vermelho mostrou seu valor. No posto de gasolina, a placa “R$3,30 o litro” parecia inacreditável. E no Maranhão do clã Sarney, pobre e largado, ainda ansioso pelo que faria (e fez) Flávio Dino.

Cálculos levando em conta o trajeto até o próximo posto e a posição da agulha no mostrador do tanque, o carro topou a aposta na indignação. Só não contava que a estrada era um pouco mais longa do que o informado, não tinha asfalto e no trecho final tinha um riacho, que levou a placa da frente e deixou a buzina rouca por alguns dias. Gripe. Pelo menos o Gol vermelho, de fazer inveja a uma Ferrari, chegou limpo e capaz no posto de gasolina seguinte (se este texto tiver mil curtidas, será que a @vwbrasil me dá um desses novinho?).

Antes do Maranhão cheio de esperanças, o Gol passou pela Brasília (da mesma marca, quebra o galho aí, @vwbrasil, aceita 500 curtidas!) calcada na realidade de três governos que deram certo. Mas o medo venceu a esperança.

Dali em diante foi uma sequência de erros.

A direita, que assumiu o governo do Brasil com Cabral, nunca soube fazer oposição, mas em 2014 começou a fazer manha.

A grande mídia, repleta de veículos do tipo que mais se compram e nunca se vendem, fez igual mãe mimada e atendeu ao chororô.

Um povo, que vai dos analfabetos políticos aos idiotas interessados, engrossou o coro do Fora Dilma. Sem pensar nas consequências.

Essas pessoas, como esses veículos, não incluem pais e mães, jovens estudantes ou qualquer necessitado de tratamento médico no Brasil, porque endossaram a PEC do fim do mundo, que congelou gastos com educação e saúde.

Também não estão entre esses cidadãos de bem os que se preocupavam com a aposentadoria, pois o Brasil cresce com o trabalho de seus habitantes. Trabalho respaldado pela CLT, que precisou ter modificações pra que os trabalhadores não ficassem acomodados em férias longas demais ou garantias de emprego por muito tempo.

E nem precisamos falar dos juristas, STF incluso, que sabiam que era golpe e devem permanecer pessoas idôneas.

Acompanhando esse cenário, qualquer sujeito minimamente letrado nas obviedades do causa-e-consequência sabia que a estrada não estava bem pavimentada. Se foram votar sem óculos e por isso, no segundo turno de 2018, confundiram 3 com 7, não precisam assumir a responsabilidade por não termos um piloto brasileiro na Fórmula 1.

Se o dólar está no preço do Euro, que vale ouro, a culpa não é dos economistas, que querem apenas o fortalecimento da moeda nacional.

Na busca pela maior quantidade de produção de alimentos, talvez o Brasil precise de agrotóxicos pra matar a fome de mais gente, e matar mais gente de outras coisas. Não podemos cobrar do lobby do agronegócio noções de saúde, afinal, a saúde tem teto, o agronegócio é a céu aberto.

E se as terras indígenas podem sofrer garimpo, há quem acredite que seja justo, pois ocuparam aquele chão por tanto tempo, desde “antes de o Brasil ser Brazil”. Também não podemos culpar quem carece desses conhecimentos de História e cultura, temas sucateados na educação desde o outro golpe, o de 1964, com raras tentativas de resgate.

No Brasil, ninguém tem culpa.

Se a gasolina subiu, se o diesel subiu, se o gás de cozinha subiu, se comer ficou caro, se a fome cresce, se a fome mata, se quem tem fome mata pra comer, nada disso é culpa dos brasileiros.

A culpa é do Putin, que invadiu a Ucrânia.

Bem feito pra ele: perdeu o piloto na Fórmula 1.

Uma pena pra gente, porque a Haas não chamou o Pietro Fittipaldi, piloto reserva da equipe, pra assumir o carro, com medo de a Petrobras querer patrocinar e inviabilizar o automobilismo.