Holofote

Pestana chama de ‘tese absurda’ apoio do PSDB a Bolsonaro após desistência de Doria

Renúncia de Doria não conseguiu apaziguar o PSDB (Foto: Reprodução/Governo de São Paulo)

A despeito da desistência do ex-governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de disputar a Presidência da República, o PSDB não conseguiu apaziguar os ânimos internos. O novo capítulo de embates no partido envolve agora o apoio à candidatura da senadora Simone Tebet (MDB) e a busca de uma nova candidatura própria. Há ainda quem veja em toda a movimentação interna da legenda uma possibilidade de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

Dos três caminhos aventados pós-desistência de Doria, a possibilidade de apoio do PSDB a Bolsonaro foi rechaçada de pronto pelo ex-deputado e pré-candidato do partido ao governo de Minas Gerais, Marcus Pestana. “Apoio ao Bolsonaro é uma tese absurda”. Para ele, o melhor a se fazer agora é insistir com a candidatura própria tucana, com o ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ou com o senador Tasso Jereissati.

Pestana considera Simone um nome qualificado, mas que “está longe de ter maioria no MDB”. O risco nesse caso, segundo ele, é apostar numa candidatura inviável partidariamente. “Hoje é dia 23 (terça-feira). Ficaremos os oito dias de maio, junho e julho no PSDB, de braços cruzados, olhando para o alto e assobiando, a partir da terceirização de nossas angústias e incertezas para o MDB. Aí em agosto, no dia da convenção do MDB, a gente acende uma vela, reza um terço, faz um despacho para o Renan (Calheiros) não tirar o tapete da Simone.”

O deputado Aécio Neves (PSDB) também defendeu a candidatura própria como melhor caminho para o partido. “É hora de aproveitarmos esses últimos acontecimentos para reconstruirmos a unidade do PSDB em torno do único caminho que permitirá que o partido continue a cumprir sua trajetória em defesa do Brasil, ou seja, com uma candidatura própria à Presidência da República.”

Quanto à possibilidade de um apoio do PSDB a Bolsonaro ou mesmo sobre uma suposta atuação na crise tucana para favorecer o atual presidente, o deputado nega. “Continuo defendendo, como sempre fiz, que tenhamos candidatura própria.” Assim como Pestana, ele também cita como possíveis candidatos Eduardo Leite e Tasso Jereissati.

Por conta das divergências, a cúpula tucana cancelou a reunião que estava marcada para essa terça-feira (24), em Brasília. Na semana passada, os presidentes do PSDB, MDB e Cidadania decidiram respaldar a pré-candidatura de Simone Tebet ao Palácio do Planalto, antes mesmo da desistência de Doria. O receio agora é de que o grupo de Aécio consiga mudar a posição do partido mais uma vez, retomando a tese da candidatura própria.

Aécio, por sua vez, lamentou o adiamento e mandou um duro recado para o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo. “Espero que possamos nos reunir o mais rapidamente possível para debatermos de forma clara e democrática os caminhos para o nosso futuro. O PSDB nunca teve dono e não será agora, nesse momento grave da vida nacional, que terá.”