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Conjuntura

Margarida entra na campanha de Kalil com evento e gravação em Juiz de Fora

Alexandre Kalil, Margarida Salomão e Alexandre Silveira gravaram programa eleitoral no campus da UFJF (Foto: O Pharol)

Há pouco mais de uma semana, o ex-prefeito de Belo Horizonte e candidato ao Governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil (PSD), foi surpreendido com uma proposta da prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT): “Vou fazer um encontro de pré-campanha para você em Juiz de Fora”. Marcado para a manhã dessa sexta-feira (5) em um hotel da zona sul da cidade, o evento reuniu políticos de partidos aliados e centenas de apoiadores.

Além do encontro, Margarida também gravou participação para o programa eleitoral do candidato que vai ar durante a propaganda eleitoral no rádio e na televisão a partir do dia 26 de agosto. As gravações aconteceram no campus da Universidade Federal de Juiz de Fora. A prefeita falou do seu período como reitora e chamou atenção para o risco atual de suspensão das atividades da instituição por conta do corte de verbas promovido pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Tanto o evento com lideranças e apoiadores quanto a gravação foram comemorados pela direção da campanha de Kalil.  A avaliação é de que Margarida potencializa a estratégia de fazer a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte avançar primeiramente nas regiões com maior presença de eleitores do ex-presidente Lula. Além da Zona da Mata, o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha são os principais alvos da campanha.

Ao discursar no evento de pré-campanha, Kalil se valeu do nome de Lula por diversas vezes. Todas as menções às eleições envolveram as disputas para presidente e governador. “Precisamos eleger Lula e Kalil para recuperarmos Minas Gerais do abandono”. Em várias ocasiões, ele também colocou o senador e candidato à reeleição, Alexandre Silveira (PSD), no pacote. Por outro lado, Bolsonaro e o governador Romeu Zema (Novo) foram tratados como aliados.

Kalil tratou especificamente de Juiz de Fora em dois momentos. Primeiro, criticou a promessa de Zema de concluir as obras do hospital regional, mas com o risco de não ter como contratar funcionários para sua operacionalização. Isso pode acontecer, segundo ele, em função da adesão de Minas Gerais ao Regime de Recuperação Fiscal, que prevê a adoção de medidas restritivas, como novas contratações, para reestruturar o equilíbrio fiscal em troca de benesses para o pagamento da dívida do estado com a União.

Depois Kalil se lembrou a implantação da Mercedes-Benz em Juiz de Fora, durante governo de Eduardo Azeredo (1995-1998), e do Aeroporto Regional da Zona da Mata e do Expominas Juiz de Fora, ambos na gestão Itamar Franco (1999-2002). Após esses empreendimentos, segundo ele, o município ficou esquecido pelos governadores seguintes, numa referência à atual gestão estadual e ao governo de Fernando Pimentel (PT).

A migração de empresas da Zona da Mata mineira para o estado do Rio de Janeiro por conta de incentivos fiscais e tributários também foi alvo de críticas do candidato. Se valendo do melhor do seu estilo, Kalil considerou a questão como uma “briga que precisamos entrar.” O que não pode, segundo ele, é Minas Gerais ver empregos e renda “pularem para o outro lado” sem ninguém fazer nada.

Encontro esvaziado na Associação Comercial

No final da manhã, Alexandre Kalil se encontrou com empresários da região na Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora. Ele estava acompanhado pelo candidato a vice-governador de sua chapa, André Quintão (PT), a prefeita Margarida Salomão e o senador e candidato à reeleição Alexandre Silveira.

O candidato foi recebido pelo vice-presidente da entidade, Guilherme Duarte, que justificou a ausência do titular, Aloísio José de Vasconcelos, que estava em viagem para a região Sul do país. Ignácio Delgado, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Inclusivo, da Inovação e Competitividade, e o reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Marcus David, compuseram a mesa.

Alexandre Silveira, também com experiência em empresarial, acabou não fazendo uso da palavra no encontro com os empresários. O espaço para a fala acabou sendo dominado pelo ex-prefeito de Belo Horizonte, que aproveitou a oportunidade para criticar a gestão do governador Romeu Zema. Durante seu discurso, Kalil retomou a questão da inviabilidade da abertura de hospitais regionais frente à implementação do Regime de Responsabilidade Fiscal, defendido por Zema.

A questão financeira também foi lembrada quando no contexto da dívida pública estadual. A acumulação desse déficit que teve um considerável crescimento nos últimos anos expõe Minas Gerais a uma situação crítica, revelou Kalil, com base em indicadores fiscais do setor público. Com a promessa de mudar essa realidade, ele disse que pretende “trabalhar na reconstrução do estado”, assim como reconstruiu a cidade de Belo Horizonte.

* Estagiária sob supervisão de jornalista profissional.