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Eleições

Saiba quanto já arrecadou cada um dos 74 candidatos a deputado por Juiz de Fora

Passada metade da campanha eleitoral, as 74 candidaturas a deputado federal e estadual com domicílio eleitoral em Juiz de Fora conseguiram arrecadar R$ 12 milhões. A maior fatia – R$ 9,7 milhões – ficou com os 35 concorrentes à Câmara dos Deputados. Os outros 39 que tentam chegar à Assembleia de Minas somaram apenas R$ 2,3 milhões.

Mas mesmo entre os candidatos a deputado federal a concentração de recursos é assustadora. Cinco candidaturas – Wadson Ribeiro (PCdoB), Júlio Delgado (PV), Charlles Evangelista (PP), Kátia Dias (PSC) e Ana Pimentel (PT) – conseguiram arrecadar R$ 8,4 milhões, ou seja, 86% do total arrecadado. Praticamente todo dinheiro veio do fundo eleitoral.

Os dados parciais das prestações de contas dos candidatos a deputado federal e estadual com domicílio eleitoral em Juiz de Fora foram reunidos em uma parceria de O Pharol e O Calçadão a partir de relatórios disponibilizados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). As informações serão atualizadas periodicamente até o término das eleições.

As 25 campanhas femininas, que representam 33% das candidaturas por Juiz de Fora, conseguiram arrecadar exatamente R$ 4.094.868,11, ou seja, 33% do total. A legislação vigente obriga os partidos a destinar um mínimo de 30% do fundo eleitoral para as candidatas, mas não estipula como isso deve ser feito.

Com isso, também nesse caso, houve concentração de recursos. Duas concorrentes – Kátia Dias e Ana Pimentel – somam mais da metade do valor arrecado (R$ 2.390.238,00).

O mesmo acontece em relação às campanhas masculinas. Dos R$ 8.087.346,96 arrecadados pelos candidatos até agora, três candidaturas – Wadson Ribeiro, Júlio Delgado e Charlles Evangelista – ficaram com R$ 6.089.227,00. Os demais 46 candidatos dividem R$ 1.998.119,96.

O que os líderes em arrecadação têm em comum?

Wadson Ribeiro (PCdoB), Júlio Delgado (PV), Charlles Evangelista (PP), Kátia Dias (PSC) e Ana Pimentel (PT), pelo menos em termos de financiamento eleitoral, não têm do que reclamar. Embora não seja sinônimo de sucesso garantido, uma campanha milionária ajuda e muito numa eleição competitiva e com muitos concorrentes.

Mas como essas cinco candidaturas conseguiram ficar com a maiores fatias dos recursos para campanha? O segredo é ser parlamentar em busca de reeleição, caso de Júlio Delgado e Charlles Evangelista, ou estar próximo das direções partidárias, como Wadson Ribeiro, Kátia Dias e Ana Pimentel.

Como cabe aos próprios partidos definir as regras para distribuição dos recursos do fundo eleitoral, quem busca a reeleição é considerado puxador de votos e, por uma questão “estratégica”, acaba recebendo mais recursos. Esse modelo, segundo especialistas, acaba contribuindo para uma baixa renovação política.

Com os puxadores de votos contemplados, entram os candidatos com prestígio na máquina partidária e que, por isso, se tornam apostas. Wadson Ribeiro é presidente do PCdoB de Minas e já chegou a assumir o mandato como deputado. Kátia Dias é irmã do deputado Noraldino Júnior, que é da direção estadual do PSC.

Ana Pimentel aparece como aposta da tendência DS (Democracia Socialista) do PT de Minas, mesmo grupo da prefeita Margarida Salomão, que era deputada federal no início da atual legislatura.

Ter boas apostas e “puxadores e puxadoras de votos” mais do que nunca se tornou uma estratégia de sobrevivência dos partidos. De acordo com legislação, a partir de 2023, só terá direito ao fundo partidário e ao tempo gratuito de rádio e TV o partido que alcançar, nas eleições deste ano para a Câmara dos Deputados, o mínimo de 2% dos votos válidos – distribuídos em ao menos nove estados, com pelo menos 1% dos votos em cada um – ou eleger 11 deputados em nove estados.

Como o cálculo considera apenas a bancada de deputados federais, isso explica também porque os partidos concentram a maior parte dos recursos nessa disputa. Mas além da questão de recursos e do tempo no horário eleitoral gratuito, uma grande bancada assegura aos partidos peso maior nas negociações e participação nos governos.