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Para entender o impeachment do Lula

Tem um monte de gente, pouco mais de 140 deputados, querendo tirar o Lula da Presidência porque ele não gosta de guerra. Entre eles a deputada Ione, de Juiz de Fora, que por também ser polícia deve gostar de uns BOs (com ela não cola falar que gosta de REDs). E quem ela segue, ao assinar o pedido de impeachment do presidente Lula, é a deputada Carla Zambelli, que segue o ex-presidente Jair Bolsonaro, que tocou berrante para chamar o gado que o segue.

O Lula falou o que todo mundo queria falar, tanto é que muitos países europeus, sem citarem o Lula ou falarem o que ele falou, concordaram com o que ele disse. A Hungria não, onde o Bolsonaro não corre o risco de ser persona non grata do Orbán. Quem não gostou do que o Lula falou é quem não gosta mesmo do Lula, ele falando ou ficando calado, o que geralmente inclui a grande mídia brasileira.

Na história do João e Maria, a bruxa engorda as criancinhas para matar e comer. Difícil saber se a moralidade da história está em não deixar as crianças sozinhas ou em não permitir que comam doces e ultraprocessados (em ambos os casos, lição para o pais). O incontestável é que a bruxa se alimenta de crianças: coloca no caldeirão, deixa cozinhar até soltar a carne a come chupando os ossinhos, mas essa parte precede a narrativa que é contada.

Bruxamin Netanyahu se alimenta de criancinhas também. Diferente da história da casa de doces, ele não quer saber se são gordas ou magras, desde que fiquem picadas porque vivem no que ele considera a casa de doces da terra prometida. Aí vem o Lula e fala que isso não é legal, que matar criancinhas é coisa de genocida e a seguidora do genocida fala que o Lula é antissemita.

Ele não falou mal dos judeus, não foi preconceituoso: foi diplomático, falou do Estado de Israel e de sua política de guerra. Um chefe de estado falando para outro em discurso internacional. Bem diferente de um chefe de Estado babando os ovos do outro num jantar presidencial nos Estados Unidos. Aquilo sim merecia impeachment, mas ninguém encontrou “falta de vergonha na cara” como critério legal para fazer o pedido.

A Zambelli, que não sabe o que é golpe e escreveu um livro sobre o assunto, agora quer dar outro golpe. Se ela pudesse, correria atrás do Lula com uma arma na mão ou diria que o QR Code de qualquer pix pode transferir seu dinheiro para o PT (depois da multa de R$30 mil pelas mentiras sobre o e-título em 2022 deve ter ficado com o pé atrás). Preferiu fazer um texto vazio que foi assinado por pessoas vazias e que, infelizmente, se for adiante, pode deixar um vazio no país que aos poucos tenta se preencher.

Um país que não é para amadores: o Arthur Lira pode acabar com a brincadeira da Zambelli. Segue mais um capítulo a ser premiado pelo roteirista desta novela chamada Brasil.

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