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Bolsonaro teve menos votos em Juiz de Fora do que em 2018

Bolsonaro visitou a Santa Casa de Juiz de Fora onde foi recebido pelo médico Renato Loures (Foto: O Pharol)

A escolha de Juiz de Fora como marco inicial da campanha de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), com comício na esquina das ruas Halfeld e Batista de Oliveira, onde em 2018 aconteceu o atentado contra sua vida, não reverteu em votos no município. Ao contrário, seu desempenho no primeiro turno foi pior do que há quatro anos.

Bolsonaro saiu das urnas juiz-foranas no último domingo (2) com 121.945 votos (38,41% dos votos válidos), ou seja, 7.952 votos a menos do que em 2018, quando alcançou a maior votação do primeiro turno com 129.897 votos (45,48% dos votos válidos). Considerando os votos válidos, sua votação encolheu 7%.

Os principais aliados do presidente em Juiz de Fora também registraram votações menores. O deputado federal Charlles Evangelista (PP), que foi eleito em 2018 com 34.600 votos no município, ficou agora com apenas 9.139 e não conseguiu se reeleger. Já a deputada estadual Delegada Sheila (PL) renovou o mandato, mas viu sua votação entre os juiz-foranos cair de uma disputa para outra de 44.175 para 14.297 votos.

O vereador Sargento Mello (PTB) e a jornalista Lis Macedo (PTB), bolsonaristas com histórico de enfretamento ao PT no município, não conseguiram se eleger. No campo da direita, o melhor desempenho foi da deputada federal eleita Ione Barbosa (Avante), que usou a imagem do presidente de forma discreta em sua campanha. Seu partido declarou apoio ao ex-presidente Lula (PT).

O bolsonarista mais votado em Juiz de Fora foi Nikolas Ferreira (PL), vereador de Belo Horizonte e deputado federal eleito com o maior número de votos da história de Minas Gerais. Com duas passagens pela cidade, sempre ao lado de Bolsonaro, ele conseguiu 29.404 votos dos juiz-foranos. Para os aliados locais do presidente, o desempenho de Nikolas acabou afetando suas candidaturas.

‘Segunda cidade natal’

Antes da campanha, no mês de julho, Bolsonaro esteve em Juiz de Fora, quando se reuniu com evangélicos e visitou a Santa Casa de Misericórdia. Na ocasião, ele tratou a cidade como o lugar do seu segundo nascimento em virtude do atendimento médico que teria salvado sua vida após a facada. A ideia da “segunda cidade natal” acabou se tornando um mote do presidente em suas visitas a Minas Gerais.

Nessa quinta-feira (6), sem sua primeira visita ao estado no segundo turno, Bolsonaro retomou o discurso da “segunda cidade natal”. Ele participou de evento com lideranças políticas e representantes da indústria em Belo Horizonte com o governador reeleito, Romeu Zema (Novo). Ao discursar, ele cumprimentou os presentes como “conterrâneos”. Após risos, explicou: “Sou de Juiz de Fora, uai”.